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Brasil gera R$ 80,75 por m³ de água e expõe desigualdade de eficiência

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Ilustração editorial de irrigação, indústria e tratamento urbano conectados por infraestrutura de água e instrumentos de medição
Agricultura, indústria e serviços urbanos aparecem integrados por infraestrutura hídrica em ilustração conceitual, sem representar instalação específica. Imagem original produzida por inteligência artificial. Crédito: LAWINFRA/IA.

Estudo da ANA mostra alta de apenas 3% desde 2015, avanço maior na agropecuária e diferenças marcantes entre setores e estados; indicador mede valor econômico, não qualidade da gestão hídrica.

A economia brasileira gerou R$ 80,75 em valor adicionado para cada metro cúbico de água doce retirado em 2022, a preços constantes de 2015. A análise divulgada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) mostra que o indicador de eficiência do uso da água cresceu apenas 3% em relação a 2015, quando era de R$ 78,4 por metro cúbico, embora tenha avançado 7,6% depois de 2019.

Série combina dados econômicos e retiradas de água

O indicador ODS 6.4.1 divide o Valor Adicionado Bruto (VAB) de agropecuária, indústria e serviços pelo volume retirado de rios, lagos e aquíferos para usos consuntivos. Os dados econômicos vêm do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e os volumes são calculados pela ANA. A série nacional apresentada vai de 2011 a 2022; por isso, não descreve diretamente a situação hídrica de 2026.

Agropecuária avança, mas parte de base baixa

A agropecuária teve o maior ganho proporcional desde o início da Agenda 2030: a eficiência subiu 29,2% entre 2015 e 2022, para R$ 1,02 por metro cúbico. O setor retirou 39,5 bilhões de metros cúbicos em 2022 e continua com o menor valor adicionado por unidade de água, característica associada ao tipo de produção e não, isoladamente, a desperdício.

Indústria ocupa faixa intermediária

A indústria alcançou R$ 116,9 por metro cúbico em 2022, alta de 5,7% desde 2015. Alimentos e bebidas, papel e celulose, siderurgia e produtos químicos concentram a maior parte das retiradas industriais. Serviços ficaram em R$ 261,7 por metro cúbico e cresceram 3% no período, refletindo alto valor adicionado e menor uso direto do recurso.

Estrutura econômica explica diferenças regionais

As diferenças estaduais são amplas. Distrito Federal ficou acima de R$ 450 por metro cúbico ao longo da série por causa do peso dos serviços, enquanto Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul permaneceram abaixo de R$ 60. Em 2022, Rio de Janeiro registrou cerca de R$ 230 e São Paulo, R$ 210; Rio Grande do Sul ficou abaixo de R$ 35, influenciado pela agricultura irrigada.

Brasil supera média global agregada

Na comparação internacional de 2021, o Brasil alcançou US$ 22,9 por metro cúbico, cerca de 10% acima da média mundial. O desempenho, porém, foi inferior ao padrão global em indústria, serviços e agropecuária quando cada setor foi analisado isoladamente. Para a ANA, a diferença agrícola indica espaço para modernizar sistemas de irrigação, manejo e medição.

Indicador não equivale a boa gestão

O indicador não mede sozinho a qualidade da gestão. Uma alta no preço de uma commodity pode elevar o valor econômico por metro cúbico sem reduzir a retirada, e recessões podem derrubar a eficiência mesmo com uso estável. A ANA recomenda interpretar o resultado junto do estresse hídrico: o índice nacional foi de 2,3% em 2024, mas chegou a 60% no Atlântico Nordeste Oriental e a 30% na bacia do São Francisco.

Dados orientam irrigação, reúso e redução de perdas

Para decisões de infraestrutura, a utilidade está no recorte setorial e territorial. Programas de irrigação, reúso industrial, redução de perdas, medição e cobrança precisam considerar escassez, produtividade e função social da água ao mesmo tempo. Os próximos passos são atualizar a série, identificar mudanças estruturais e converter os diagnósticos regionais em projetos com metas verificáveis de retirada e produção.