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Atlas aponta risco de inundação em 878 municípios do Sul e orienta prioridade de investimentos

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Ilustração conceitual de cidade do Sul do Brasil com áreas inundáveis, pontes, canais, diques e infraestrutura de monitoramento
Risco de inundação e infraestrutura de resposta em ilustração editorial exclusiva criada por inteligência artificial; a cena não retrata município ou desastre específico. Crédito: LAWINFRA/IA.

Levantamento da ANA classifica 319 municípios em risco alto ou muito alto. Santa Catarina concentra a maior proporção de cidades expostas, e o Rio Grande do Sul, o maior número absoluto.

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) identificou risco de inundações ou enxurradas em 878 dos 1.191 municípios da Região Sul, o equivalente a 73,7% do total. O novo Atlas de Risco a Inundações classifica 115 cidades em risco muito alto, 204 em risco alto, 290 em risco médio e 269 em risco baixo.

Risco alto ou muito alto alcança 319 cidades

As duas categorias mais críticas reúnem 319 municípios. O diagnóstico transforma dados de recorrência e danos em uma base para priorizar investimentos, ampliar sistemas de monitoramento e alerta, preparar planos de contingência e adotar medidas de proteção das comunidades expostas.

Santa Catarina tem a maior proporção

Santa Catarina apresenta a maior proporção de municípios com risco: 266 dos 295, ou 90,2%. São 55 cidades em risco muito alto e 79 em risco alto. As 134 cidades nas duas classes críticas refletem a combinação de chuva intensa, relevo acidentado e ocupação urbana de fundos de vale e planícies fluviais.

O Rio Grande do Sul concentra o maior número absoluto: 346 dos 497 municípios têm risco identificado. Desses, 43 estão na classe muito alta e 82 na alta. O Paraná tem 266 dos 399 municípios com algum risco, incluindo 17 em nível muito alto e 43 em nível alto.

Bacias litorâneas concentram casos críticos

As bacias litorâneas estaduais de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul concentram, respectivamente, 95 e 84 municípios com risco alto ou muito alto. As bacias dos rios Uruguai e Iguaçu somam outros 57 e 40 municípios nessas classes.

Três métodos sustentam a classificação

O Atlas cruza áreas urbanizadas com manchas de inundação, analisa cheias a partir de estações fluviométricas e avalia a frequência dos eventos e os danos humanos registrados no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres. A classificação final usa a maior classe de risco entre os métodos aplicáveis e foi revisada com equipes estaduais.

A publicação atualiza o Atlas de Vulnerabilidade a Inundações de 2014 e incorpora o avanço da Rede Hidrometeorológica Nacional, dos sistemas de alerta e das bases de desastres. O estudo não substitui projetos executivos nem define sozinho a alocação orçamentária, mas oferece uma referência comum para União, estados e municípios.

Mapa precisa virar carteira de prevenção

O efeito prático dependerá de os entes públicos converterem o mapa em carteira de obras e medidas não estruturais. Entre os próximos passos estão detalhar intervenções locais, revisar drenagem e ocupação urbana, ampliar alertas e buscar recursos para reduzir a exposição antes dos próximos eventos extremos.