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Estudo escolhe acesso de R$ 288 milhões ao futuro Aeroporto da Serra Gaúcha

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Ilustração conceitual de rodovia serrana entre araucárias, pontes e um aeroporto no horizonte
Ligação rodoviária em serra e aeroporto regional em ilustração editorial original produzida com inteligência artificial. A cena é conceitual e não reproduz o traçado do EVTEA. Crédito: LAWINFRA/IA.

Traçado pela Estrada do Juá reduz pontes, custo e supressão de vegetação diante das outras alternativas. EVTEA define a solução técnica, mas ainda não equivale a obra contratada.

O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental da ERS-466 escolheu a Estrada do Juá como corredor para ligar a Rota do Sol ao futuro Aeroporto da Serra Gaúcha e à ERS-235, em Canela. A alternativa prevê 46 quilômetros de intervenções e custo estimado de R$ 288 milhões, em valores de janeiro de 2026.

Dos 46 quilômetros, 41 ficam entre a Rota do Sol e a ERS-235, e cinco correspondem ao acesso ao terminal aeroportuário. O Consórcio Rodovias RS elaborou o EVTEA, aceito pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Sul em setembro. O resultado foi apresentado em 20 de outubro, durante a Mercopar, em Caxias do Sul.

Estudo não equivale a obra contratada

A escolha encerra a comparação de traçados nesta etapa de planejamento, mas não significa que a obra esteja contratada. O comunicado do Daer não informa licitação, licença ambiental definitiva, cronograma de execução ou cobertura integral dos recursos. Esses marcos precisarão ser comprovados separadamente antes do início da implantação.

Alternativa reduz custo e estruturas de travessia

As duas alternativas descartadas seguiriam por Tunas Baixa e Tunas Altas, cruzariam o vale do Rio Caí e chegariam a Gramado. Tinham 50,5 e 50,2 quilômetros de extensão e custos estimados em R$ 499 milhões e R$ 517 milhões, respectivamente. O traçado do Juá é, portanto, R$ 211 milhões mais barato que a primeira opção e R$ 229 milhões mais barato que a segunda, com base nas estimativas do estudo.

A diferença de engenharia está concentrada sobretudo nas travessias. As rotas pelo vale exigiriam uma ponte de 1.080 metros. A solução escolhida prevê três pontes que somam 360 metros, além de curvas e rampas mais suaves. O anteprojeto adota plataforma pavimentada de 12,2 metros, duas faixas de 3,6 metros e acostamentos de 2,5 metros em cada lado.

Supressão estimada é menor, mas depende de licenciamento

O EVTEA também estima menor supressão de mata nativa no corredor selecionado: cerca de nove hectares, ante 24 e 27 hectares nas alternativas descartadas. O anteprojeto inclui 49 passagens de fauna. Esses números são premissas do estudo e ainda dependerão do detalhamento, do licenciamento e das condicionantes ambientais aplicáveis ao projeto definitivo.

Benefício econômico não é receita garantida

Na análise econômica, o estudo calcula R$ 1,63 em benefícios para cada R$ 1 investido. O indicador considera redução de tempo e custo de viagem e efeitos indiretos sobre produção, emprego e valorização imobiliária. Não é projeção de receita ou garantia de retorno financeiro ao Estado.

As simulações apontam 47 minutos entre a Rota do Sol e o entroncamento da Estrada do Caracol com a ERS-235, em Canela, e 48 minutos entre o futuro aeroporto e o mesmo ponto. O cálculo usa as velocidades de projeto — 80 km/h em geral e 60 km/h na serra — e 40 km/h no trecho final; não define os limites que serão sinalizados na operação.

Próximos marcos ainda precisam ser contratados

A pauta passa agora da escolha do corredor para a maturação do empreendimento. Os pontos de controle são o projeto de engenharia, o licenciamento, a estrutura de financiamento, a licitação e a compatibilização do acesso com o cronograma do próprio aeroporto. Sem esses instrumentos, o EVTEA reduz a incerteza sobre o traçado, mas não fixa a data de entrega da ligação.