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Investimento em transmissão europeia triplica, mas atrasos custam € 4 bilhões por ano

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Ilustração editorial de rede europeia de transmissão, subestação, baterias e renováveis
Rede elétrica europeia fictícia produzida com inteligência artificial. A imagem não representa projeto real. Crédito: LAWINFRA/IA.

ACER aponta € 30,5 bilhões em aportes anuais, € 5,4 bilhões em medidas contra congestionamento e 22% dos projetos transfronteiriços atrasados.

O investimento anual em transmissão de eletricidade na Europa quase triplicou, de € 10,4 bilhões em 2019 para € 30,5 bilhões em 2025, mas atrasos e congestionamentos continuam elevando o custo do sistema, segundo relatório publicado nesta sexta-feira, 6, pela Agência da União Europeia para a Cooperação dos Reguladores da Energia.

Um em cada cinco projetos sofre atraso

Em média, 22% dos projetos de interesse comum ou mútuo de transmissão elétrica sofrem atraso a cada ano. A ACER estima que um ano adicional de demora pode representar aproximadamente € 4 bilhões em perda de bem-estar econômico. Licenciamento prolongado aparece entre as principais causas.

Congestionamento custa € 5,4 bilhões

As medidas adotadas pelos operadores para aliviar congestionamentos custaram € 5,4 bilhões aos consumidores europeus em 2025, mais de 25% acima de 2024. A renda de congestionamento dos mercados diários superou € 9 bilhões, mas 60% dos recursos disponíveis, cerca de € 12,5 bilhões, permaneciam reservados em vez de aplicados em redes transfronteiriças ou redução de tarifas.

Rede chega a 28% da conta residencial

Os custos de rede para consumidores residenciais cresceram 40% entre 2019 e 2025, para € 84 por megawatt-hora, e passaram a representar cerca de 28% da conta média de eletricidade. O dado conecta atraso físico, operação corretiva e pressão tarifária.

Regulador pede planejamento integrado

O relatório recomenda resposta da demanda, gestão de congestionamento baseada em mercado, tecnologias que ampliem a capacidade das linhas existentes, planejamento integrado e licenciamento mais previsível. Também propõe rever a divisão de custos e benefícios entre países e usuários ao longo do tempo.

Comparação com o Brasil exige cautela

Para o Brasil, a utilidade é comparativa. O país também discute expansão de transmissão, filas de conexão, cortes de geração, grandes cargas e armazenamento, mas tem regras, topologia e mercado próprios. As cifras europeias não podem ser transferidas diretamente; elas ajudam a avaliar como atraso e subutilização de redes se convertem em custo sistêmico.