Seis portos têm potencial para eólica offshore, mas todos exigem reforço de cais e áreas

Estudo de MME e MPOR seleciona Pecém, Suape, Porto Central, Açu, Imbituba e Rio Grande. Diagnóstico recomenda ampliar pátios, reforçar estruturas e ajustar segurança e segregação operacional.
Um estudo conjunto dos ministérios de Minas e Energia e de Portos e Aeroportos identificou seis terminais com maior potencial para apoiar a cadeia logística da energia eólica offshore: Pecém, no Ceará; Suape, em Pernambuco; Porto Central, no Espírito Santo; Açu, no Rio de Janeiro; Imbituba, em Santa Catarina; e Rio Grande, no Rio Grande do Sul.
Potencial exige obra antes da operação
O diagnóstico conclui que nenhum deles está pronto sem adaptações. Todos dependem de investimentos em infraestrutura, ampliação de áreas operacionais, reforço estrutural dos cais e ajustes de segurança e segregação das operações. As intervenções são necessárias para movimentar pás, torres, fundações e equipamentos de grande porte.
Capacidade de carga e pré-montagem entram no cálculo
A análise considerou acesso marítimo, capacidade de carga, áreas para armazenamento e pré-montagem, conexões de transporte e presença de indústrias associadas. O levantamento foi elaborado pela consultoria COWI na cooperação técnica entre Brasil e Dinamarca, com participação da Agência Dinamarquesa de Energia.
Dois cenários tecnológicos
Foram avaliados dois cenários tecnológicos. O Large Offshore considera parques com turbinas de 15 a 20 megawatts, instaladas a mais de 20 quilômetros da costa. O Nearshore trabalha com máquinas de 6 a 8 megawatts em áreas localizadas até 20 quilômetros do litoral.
A diferença de escala altera calado, raio de manobra, resistência do pavimento, capacidade do cais, área de estocagem e equipamentos de elevação. A escolha do terminal também dependerá da localização dos futuros parques, da disponibilidade de embarcações e da capacidade de coordenar operações portuárias existentes com a nova cadeia.
Regulação e planejamento vêm primeiro
No curto prazo, entre 2026 e 2028, o estudo recomenda avançar na regulamentação da Lei nº 15.097/2025, planejar áreas prioritárias, atualizar instrumentos de planejamento portuário, fortalecer a coordenação entre órgãos e aperfeiçoar o licenciamento ambiental.
Para 2029 a 2032, as prioridades passam pela redução dos riscos de investimento, desenvolvimento da cadeia produtiva e qualificação de trabalhadores. A sequência é relevante porque portos e fornecedores precisam tomar decisões de capital antes do início da construção dos parques.
Lista orienta, mas não obriga
A lista não cria reserva de mercado nem obriga desenvolvedores a usar os seis terminais. Ela funciona como guia para investimentos públicos e privados. O próximo teste será transformar o diagnóstico em planos portuários, projetos de engenharia, licenças e contratos compatíveis com o calendário regulatório da eólica offshore.
