Marcopolo produz 25% menos ônibus no 3T26 e cita hiato do Caminho da Escola

Produção caiu para 3.085 veículos, com retração de 16,7% no Brasil e 59,3% no exterior; diesel e dificuldade de repassar custos às tarifas também pressionaram a demanda urbana.
A Marcopolo produziu 3.085 ônibus no terceiro trimestre de 2026, 25,2% menos que as 4.127 unidades fabricadas no mesmo período de 2025. No Brasil, a produção caiu 16,7%, para 2.748 veículos. Nas operações do exterior, a retração foi de 59,3%, para 337 unidades.
Compras públicas alteram o ritmo industrial
A companhia associou parte da queda brasileira ao intervalo entre as fases 12 e 13 do Caminho da Escola. A ausência de produção relevante de micro-ônibus para o programa federal reduziu a atividade do trimestre. O resultado mostra como o ritmo de compras públicas pode repercutir na indústria e na cadeia de fornecedores, mas não significa que toda a redução tenha uma única causa.
Diesel e tarifa pressionam o ônibus urbano
O mercado de ônibus urbanos também perdeu força. Segundo o balanço divulgado pela empresa e repercutido por veículos independentes, a alta do diesel pressionou os custos das operadoras, que enfrentaram dificuldade para transferir integralmente essa variação às tarifas. Para municípios e concessionárias, a combinação pode adiar renovação de frota quando não há contrato, subsídio ou revisão capaz de absorver o aumento.
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Exterior amplia a retração
Produção e vendas recuaram em intensidades diferentes. O volume vendido pelas unidades brasileiras caiu 22,6% na comparação anual, enquanto as vendas das operações no exterior diminuíram 42,8%. A produção internacional foi afetada principalmente por níveis menores de atividade no México, na Argentina e na África do Sul.
Margem cai para 12%
A receita operacional líquida somou R$ 2,293 bilhões, queda de 8,5% em um ano. O Ebitda, indicador de geração operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, caiu 34,7%, para R$ 274,1 milhões, e a margem recuou de 16,8% para 12%. O lucro líquido de R$ 186,5 milhões ficou 43,4% abaixo do 3T25.
Reestruturação custa R$ 19,9 milhões
O trimestre incorporou R$ 19,9 milhões em custos não recorrentes de reestruturação, dos quais R$ 16,7 milhões no Brasil e R$ 3,2 milhões no México. Sem esse efeito, a companhia informou Ebitda de R$ 294 milhões e margem de 12,8%. A dívida líquida do segmento industrial caiu de R$ 475,1 milhões em junho para R$ 341,1 milhões em setembro; no consolidado, incluindo o Banco Moneo, ficou em R$ 1,799 bilhão.
Companhia não prevê retomada rápida
A companhia não espera recuperação consistente das vendas e da produção no fim de 2026 e no começo de 2027. Também indicou que compras antecipadas ligadas ao Move II tendem a enfraquecer a demanda por ônibus rodoviários e veículos leves nos próximos meses. Essa avaliação é uma projeção empresarial, não um dado já realizado sobre encomendas futuras.
Fase 13 ainda depende de contratação
A fase 13 do Caminho da Escola permanece como marco a acompanhar. No resultado do primeiro trimestre, a Marcopolo informou que o programa havia habilitado 7.210 ônibus escolares, com entregas previstas a partir de 2026. A habilitação abre a possibilidade de fornecimento, mas não equivale a pedido firme, entrega concluída ou receita reconhecida: o efeito depende das adesões, contratações e cronogramas dos entes públicos.
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Teleconferência será às 11h
A teleconferência do 3T26 está marcada para esta quarta-feira, 4 de novembro, às 11h de Brasília. Os pontos verificáveis para a próxima atualização são o cronograma efetivo da fase 13, a carteira de pedidos, a demanda do transporte urbano, os ajustes internacionais e a capacidade das operadoras de acomodar diesel e outros custos sem comprometer oferta ou tarifa.
