LAWINFRATODAS AS NOTÍCIAS →

Portugal escolhe Lufthansa para até 49,9% da TAP; rotas do Brasil pesam na estratégia

COMPARTILHE
Ilustração editorial de dois aviões em aeroporto de Lisboa com conexão aérea conceitual entre Portugal e Brasil
A malha da TAP para o Brasil é um dos ativos estratégicos da operação. Ilustração editorial original produzida com inteligência artificial; não representa aeronaves, pintura ou operação específicas. Crédito: LAWINFRA/IA.

Oferta avalia a TAP em € 2,55 bilhões e mantém o Estado português como controlador. Fechamento ainda depende das etapas contratuais e da aprovação regulatória europeia.

O governo de Portugal escolheu nesta quarta-feira, 14 de outubro, o Lufthansa Group como parceiro estratégico para a privatização parcial da TAP Air Portugal. A proposta prevê a compra inicial de 44,9% do capital por pouco mais de € 1 bilhão. Como 5% das ações estão reservadas aos trabalhadores, a participação alemã poderá alcançar 49,9% e o valor total, € 1,2 bilhão, se a parcela não for integralmente adquirida pelos empregados.

A decisão não transfere imediatamente o controle da companhia. O Estado português continuará como acionista majoritário nesta etapa, e a operação ainda precisa cumprir as etapas contratuais e obter aprovação regulatória na União Europeia. Segundo a Associated Press, o governo admite concluir a privatização integral até 2028, mas essa possibilidade depende de decisões posteriores.

Oferta, avaliação e critérios de escolha

O primeiro-ministro Luís Montenegro afirmou que a oferta da Lufthansa superou em 16% a proposta final da Air France-KLM. Pelos números divulgados pelo governo, a operação avalia a TAP em € 2,55 bilhões. O preço foi um dos critérios; o plano industrial, a expansão da operação e a sustentabilidade financeira da companhia também entraram na escolha.

Por que a malha brasileira importa

Para o Brasil, o interesse é direto. A TAP tem em Lisboa seu principal hub e mantém uma das maiores redes entre o país e a Europa. As conexões brasileiras, ao lado das rotas para a África lusófona e os Estados Unidos, estão entre os ativos que tornam a empresa estratégica para um grande grupo europeu.

A empresa informou anteriormente que ampliaria sua presença brasileira para 15 destinos até o fim de 2026, com Curitiba e São Luís entre as novas rotas. Essa malha sustenta fluxos de passageiros, turismo, negócios e carga. A entrada da Lufthansa pode ampliar conexões dentro da rede do grupo, mas não garante, por si, mais frequências ou tarifas menores no Brasil.

Frota e infraestrutura ainda dependem de execução

O governo português informou que o Lufthansa Group se comprometeu a expandir a frota da TAP para 117 aeronaves até 2035 e para 130 depois desse marco, quando o novo aeroporto de Lisboa é esperado. O alcance e o calendário desses compromissos terão de ser conferidos nos instrumentos definitivos. Em junho, a TAP operava 101 aeronaves e atendia 93 destinos.

A expansão anunciada depende de capacidade aeroportuária, financiamento, entrega de aviões, demanda e autorizações de tráfego. Para passageiros brasileiros, os indicadores relevantes serão frequências, destinos, conexões, pontualidade e preços efetivos. Para aeroportos e fornecedores, importam a distribuição das operações e a manutenção de investimentos na malha.

Consolidação europeia e controle concorrencial

A operação também será examinada sob a ótica concorrencial. A Lufthansa já controla ou participa de companhias como SWISS, Austrian Airlines e ITA Airways. A incorporação de uma participação relevante na TAP reforça a consolidação da aviação europeia e dá ao grupo acesso a um hub atlântico no qual sua presença era menor.

Esse ganho de escala pode oferecer compras conjuntas, integração comercial e maior acesso a capital. Também aumenta a importância de avaliar como acordos de rede, programas de fidelidade, slots e decisões comerciais afetarão a concorrência em mercados específicos. A aprovação europeia deverá considerar esses elementos antes do fechamento.

Capacidade financeira entra no contraponto

A Lufthansa enfrenta, ao mesmo tempo, o desafio de melhorar a rentabilidade de sua principal companhia e concluir a recuperação da ITA Airways. Analistas ouvidos pela Reuters apontaram essa execução simultânea como risco. O contraponto é que a TAP espera acessar recursos e capacidades de um grupo maior para sustentar seu crescimento.

O que acompanhar agora

A escolha desta quarta-feira é um marco relevante, mas ainda intermediário. Para distinguir anúncio de resultado, o acompanhamento deve observar a assinatura final, a decisão dos reguladores, a composição efetiva da participação, o cronograma de frota e as alterações concretas na rede. Só essas etapas permitirão medir o efeito sobre a conectividade entre Brasil e Europa.