EPE estima 9,7 bilhões de barris equivalentes recuperáveis na Bacia de Pelotas

Estudo identificou 80 leads e estimou 17,9 bilhões de barris de óleo equivalente in place. Os volumes têm alto grau de incerteza e não são reservas, descobertas nem produção contratada.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estimou em 9,7 bilhões de barris de óleo equivalente o volume recuperável prospectivo de petróleo e gás natural associado a 80 leads identificados na Bacia de Pelotas. O caderno técnico, publicado em 29 de setembro, calcula 17,9 bilhões de barris de óleo equivalente in place, dos quais 3,4 bilhões de barris corresponderiam a petróleo recuperável e 1.006,6 bilhões de metros cúbicos a gás natural recuperável.
Recurso prospectivo não é reserva
Esses números não são reservas. Um lead é uma acumulação potencial que ainda precisa de dados adicionais para ser convertida em prospecto perfurável. A própria EPE classifica a avaliação como preliminar, sujeita a elevado risco e incerteza, e afirma que os resultados indicam ordem de grandeza. Perfuração, descoberta, delimitação, viabilidade econômica, licenciamento e desenvolvimento são etapas posteriores que podem reduzir substancialmente o volume aproveitável.
Estudo avaliou nove poços e 80 mil quilômetros de sísmica
O estudo revisou informações de nove poços exploratórios offshore, reinterpretou topos estratigráficos e avaliou 4.541 linhas sísmicas 2D, somando mais de 80 mil quilômetros. Os volumes foram calculados com fatores de chance de sucesso e referências de recuperação de campos offshore brasileiros: 35% para leads de óleo e 80% para leads de gás.
Objetivos ultraprofundos elevam o risco tecnológico
A EPE também registrou risco tecnológico em alguns objetivos ultraprofundos, situados a mais de 7.700 metros. Esse limite físico reforça que recurso geológico não equivale automaticamente a projeto econômico. Custos de perfuração, produtividade, preço, infraestrutura de escoamento, demanda e exigências socioambientais ainda precisam ser avaliados caso a exploração avance.
Analogia com a Namíbia orienta, mas não prova
A Bacia de Pelotas ocupa parte da Margem Atlântica Sul brasileira, diante do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. O interesse recente decorre, entre outros fatores, de analogias geológicas com a margem africana e com descobertas na Namíbia. Analogia ajuda a formular hipóteses, mas não substitui evidência obtida por poços no lado brasileiro.
Último poço exploratório foi perfurado em 2001
Segundo o caderno, não há perfuração exploratória na porção brasileira da bacia desde 2001. Assim, o principal efeito imediato da publicação é reduzir assimetria de informação e orientar prioridades de pesquisa, planejamento e aquisição de dados. O documento não abre bloco, concede licença, autoriza campanha nem anuncia compromisso de uma operadora.
Perfuração e licenciamento ainda são etapas futuras
Para empresas e formuladores de política, o estudo oferece uma referência nova sobre escala potencial, mas também explicita as lacunas. Os próximos marcos verificáveis seriam aquisição de sísmica adicional, amadurecimento dos leads em prospectos, decisões de contratação de áreas, licenciamento e perfuração exploratória. Só resultados de poços e avaliações subsequentes poderiam sustentar eventual classificação de recursos contingentes ou reservas.
