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Energia tem 30% menos operações, mas valores divulgados somam R$ 20,9 bilhões

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Ilustração editorial de subestação, linhas de transmissão e fontes renováveis associadas a fusões e aquisições no setor de energia
O número de operações caiu, mas o capital ficou concentrado em negócios de maior porte, especialmente no segundo trimestre. Ilustração editorial produzida por inteligência artificial; não retrata ativos ou empresas reais. Crédito: LAWINFRA/IA.

Setor registrou 46 transações no primeiro semestre, ante 66 em 2025; forte aceleração do valor no segundo trimestre mostra mercado mais seletivo e concentrado em grandes ativos.

O setor de energia brasileiro registrou 46 operações de fusão e aquisição no primeiro semestre de 2026, ante 66 no mesmo período de 2025. A redução de 30,3% consta do recorte setorial da Pesquisa Trimestral de M&A da KPMG.

A queda na quantidade, entretanto, não descreve sozinha o comportamento do mercado. Os negócios de energia com valores divulgados movimentaram R$ 2,7 bilhões no primeiro trimestre e R$ 18,2 bilhões no segundo. Somados, os dois períodos alcançam R$ 20,9 bilhões, com forte concentração financeira entre abril e junho.

Menos operações não significaram paralisação do capital

A combinação revela um mercado com menos transações, mas cheques maiores. Segundo a KPMG, megadeals em bioenergia e transmissão impulsionaram o segundo trimestre. O dado sugere preferência por ativos de escala e operações capazes de produzir sinergias, previsibilidade de receita ou reposicionamento de portfólio.

Essa leitura é diferente de afirmar que os investimentos deixaram o setor. A retração de 30,3% mede o número de negócios anunciados; não mede capacidade instalada, obras executadas nem todo o capital investido em projetos novos. Fusões e aquisições também não se confundem com investimentos orgânicos realizados diretamente pelas empresas.

Para infraestrutura, a concentração em transmissão é particularmente relevante. Ativos regulados costumam oferecer receitas contratuais de longo prazo, mas seu valor depende de disponibilidade, desempenho, estrutura de dívida, revisões regulatórias e capacidade de executar reforços e ampliações.

Pesquisa mudou a metodologia

A edição de 2026 passou a considerar transações anunciadas, incluiu métricas de valores divulgados, reagrupou setores e revisou os critérios aplicados a operações com fundos de private equity e venture capital. A própria KPMG informa que quantidade e valor podem usar bases diferentes, porque nem todas as transações divulgam preço.

Por isso, R$ 20,9 bilhões não representam o valor integral de todas as 46 operações. O total financeiro reúne apenas negócios cujos valores puderam ser identificados. Comparações históricas muito extensas também exigem cautela diante das mudanças metodológicas.

Movimento acompanha um mercado nacional mais seletivo

No conjunto da economia brasileira, a pesquisa contabilizou 610 transações no primeiro semestre, queda de 35% em relação a 2025. Em sentido contrário, o valor movimentado cresceu 22,3% e chegou a R$ 195 bilhões. Mais de 85% desse montante ficou concentrado em operações superiores a R$ 1 bilhão.

As operações internacionais também ganharam peso financeiro. A KPMG registrou 191 negócios cross-border no país, 18% menos em quantidade, mas com R$ 102 bilhões movimentados, alta de 153%. Os dados reforçam a diferença entre frequência de negócios e volume de capital.

Para empresas de energia, investidores e financiadores, o cenário aponta maior seletividade. Qualidade dos ativos, segurança regulatória, contratos, conexão à rede, licenciamento, passivos e custo de capital tendem a receber diligência ainda mais rigorosa quando poucos negócios concentram grande parte do valor.

O que os números permitem concluir

O resultado permite concluir que a atividade de M&A perdeu frequência, mas não desapareceu nem se tornou financeiramente irrelevante. A leitura mais precisa é a de recomposição: menos operações, maior concentração de capital e protagonismo de segmentos capazes de reunir escala e receitas de longo prazo.

Os próximos levantamentos deverão mostrar se o salto financeiro do segundo trimestre foi pontual, provocado por poucos megadeals, ou se inaugura uma recuperação mais ampla. Também será importante acompanhar se transmissão e bioenergia continuarão liderando a consolidação e se novos negócios alcançarão geração, armazenamento, infraestrutura digital e serviços de energia.