Autazes fecha contrato de 28 anos para usina de 20 MW durante construção da mina

Acordo definitivo prevê geração modular a diesel por cinco anos de obras e mais 23 anos como reserva; redução de US$ 33 milhões no investimento inicial é estimativa da companhia.
A Potássio do Brasil, subsidiária da Brazil Potash, assinou com a Gera Center um contrato definitivo de 28 anos para implantar, operar e manter uma usina modular de até 20 megawatts no Projeto Autazes, no Amazonas. O sistema deverá fornecer eletricidade durante cinco anos de construção da mina e permanecer por outros 23 anos como fonte de reserva.
O contrato substitui o memorando de entendimento não vinculante anunciado em maio. Essa passagem é o fato novo desta segunda-feira, 14 de setembro: as partes deixaram a fase preliminar e formalizaram o arranjo de infraestrutura. O anúncio, contudo, não informa o valor total das obrigações de pagamento ao longo dos 28 anos.
O local ainda não está conectado ao Sistema Interligado Nacional. Até que a linha de transmissão planejada seja concluída, a geração a diesel deverá atender a escavação de dois poços da mina, a implantação da planta de processamento e as obras do porto ou terminal fluvial. Depois da conexão à rede, os mesmos equipamentos deverão operar em regime de reserva.
A configuração atual prevê 45 geradores modulares em contêineres. A capacidade começará em 10 MW e deverá alcançar 20 MW ao longo do primeiro ano, com mobilização inicial em até 120 dias contados da emissão da ordem de início. O cronograma, portanto, depende de uma autorização operacional futura e não significa que a usina já esteja instalada.
Durante a operação contínua, o contrato estabelece disponibilidade mínima de 98% em cada mês e de 98,5% no ano. Após a fase de obras, o sistema deverá ficar em espera para responder a interrupções da conexão principal com o SIN. Capacidade contratada e energia efetivamente produzida são grandezas diferentes: a geração dependerá da demanda da obra e, mais tarde, de eventual contingência.
O modelo anunciado é o Build-Own-Operate, ou BOO. Nele, a Gera Center financia, constrói, mantém a propriedade e opera a planta. A Brazil Potash afirma que essa estrutura retira aproximadamente US$ 33 milhões de gastos com energia do orçamento inicial da construção, embora parte da recuperação dos custos do fornecedor ainda ocorra durante os cinco primeiros anos.
A companhia também projeta economia líquida de cerca de US$ 10 milhões durante a vigência do contrato em comparação com estimativas anteriores. Os dois valores são projeções empresariais, não desembolsos evitados já auditados. Eles podem variar com consumo, preço do diesel, cronograma da obra, câmbio, desempenho dos equipamentos e condições do contrato não detalhadas no comunicado.
A assinatura resolve uma necessidade específica de energia, mas não equivale ao financiamento integral nem à ordem definitiva de construção do Projeto Autazes. A implantação da mina continua condicionada à engenharia, à captação de capital, às licenças aplicáveis e aos demais marcos regulatórios, ambientais e contratuais.
A solução também cria uma transição energética interna ao projeto. Na primeira etapa, a obra dependerá de geração térmica local porque não há rede disponível. Na segunda, a eletricidade do SIN deverá assumir o suprimento normal e a usina a diesel ficará como redundância. O desempenho ambiental dessa transição dependerá do prazo da linha, do consumo efetivo de combustível e da frequência de acionamento da reserva.
A empresa informa que contratos de venda já cobrem aproximadamente 91% da produção planejada de potássio. Esse percentual representa compromissos comerciais sobre uma produção futura; não comprova que a mina esteja operacional nem elimina riscos de financiamento, construção, licenciamento e mercado.
Para o setor de infraestrutura, o contrato mostra como ativos auxiliares podem ser retirados do investimento inicial do patrocinador e contratados como serviço de longo prazo. A vantagem é preservar capital para a atividade principal. Em contrapartida, o projeto assume pagamentos e dependência operacional por quase três décadas, o que torna disponibilidade, reajuste, combustível, garantias e saída contratual pontos centrais da execução.
