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MPF pede participação de moradores antes de obras de R$ 143,9 milhões em Belém

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Ilustração editorial de comunidade em reunião sobre urbanização de canal em Belém
A ação discute participação comunitária antes de obras e reassentamentos na Bacia do Mata Fome. Imagem editorial produzida com inteligência artificial; não retrata o local ou os moradores reais. Crédito: LAWINFRA/IA.

Ação questiona a falta de assessoria técnica e escuta comunitária no projeto da Bacia do Mata Fome. Pedido liminar ainda depende de decisão da Justiça Federal.

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou nesta segunda-feira, 28 de setembro, uma ação civil pública contra o Município de Belém para exigir participação direta dos moradores no projeto de urbanização da Bacia Hidrográfica do Mata Fome. O empreendimento integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e soma R$ 143,9 milhões, dos quais R$ 132,7 milhões são recursos da União.

Projeto inclui moradias e saneamento

Segundo o MPF, o projeto prevê 208 moradias, rede de saneamento básico, áreas de lazer e um parque linear. A ação sustenta que a prefeitura tentou antecipar obras do parque sem contratar assessoria técnica comunitária, sem apresentar plano de escuta da população e sem encaminhar à Caixa Econômica Federal os projetos da urbanização do canal e do reassentamento.

Liminar ainda não foi decidida

O pedido liminar busca obrigar o município, em até 60 dias, a contratar equipe técnica especializada instalada no território e a apresentar à Caixa e ao Ministério das Cidades um cronograma detalhado de participação. Esses são pedidos do MPF. A fonte oficial não informa que a Justiça Federal já tenha deferido a medida ou paralisado as obras.

Participação pode afetar prazo e repasses

A controvérsia afeta o risco jurídico e o cronograma porque o programa Periferia Viva exige participação social antes de obras físicas e remoções de famílias. O MPF afirma que a omissão pode comprometer repasses federais e travar o projeto. O Município de Belém ainda poderá apresentar sua defesa e documentos no processo.

Município poderá contestar a narrativa

O MPF relata ter expedido recomendação em junho. De acordo com a instituição, Caixa e Ministério das Cidades aceitaram a orientação, mas a prefeitura não contratou os profissionais solicitados. Essa narrativa deverá ser confrontada com a manifestação municipal e com os registros administrativos levados à Justiça.

Engenharia e proteção social precisam convergir

Projetos de drenagem, saneamento e urbanização em áreas ocupadas exigem compatibilizar engenharia, reassentamento, proteção social e continuidade dos serviços. A participação comunitária não substitui o projeto técnico, mas pode identificar impactos sobre acesso, moradia, trabalho e uso do território que afetam custo, licenciamento e execução.

Decisão judicial será o próximo marco

Os próximos marcos são a análise do pedido liminar, a resposta do município e a apresentação dos planos à Caixa e ao Ministério das Cidades. Até uma decisão judicial ou acordo, não é possível afirmar que o empreendimento foi suspenso, autorizado sem condicionantes ou reformulado.