IEDI defende dobrar o esforço em infraestrutura e reforçar agências reguladoras

Carta Brasil 2040, divulgada hoje, relaciona juros, planejamento e previsibilidade regulatória ao déficit de investimento. Os números são estimativas e propostas do instituto.
A infraestrutura aparece como uma das prioridades da estratégia Brasil 2040 divulgada pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) nesta segunda-feira, 28 de setembro. A Carta IEDI nº 1379 defende ampliar o investimento produtivo, reduzir entraves ao financiamento e reforçar a capacidade técnica do Estado para preparar e regular projetos de longo prazo.
O instituto cita estimativa da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) segundo a qual o país deveria investir quase o dobro do patamar atual em infraestrutura ao longo da próxima década para atender suas necessidades. Em logística, informa uma faixa brasileira de 0,3% a 0,7% do PIB, inferior às referências internacionais usadas na carta. Essas comparações são diagnóstico e recomendação, não um orçamento aprovado.
Para explicar o efeito econômico, o IEDI menciona estudo do IBRE/FGV que estima acréscimo de R$ 1,64 milhão a R$ 1,95 milhão na produção total para cada R$ 1 milhão investido em infraestrutura, considerados efeitos diretos e indiretos. Trata-se de uma estimativa de multiplicador econômico; o resultado de cada obra depende de qualidade do projeto, execução, localização e manutenção.
O documento associa a retomada de projetos ao custo e ao prazo do crédito, à capacidade de estruturação e à previsibilidade regulatória. Recomenda fortalecer tecnicamente as agências reguladoras e tornar processos mais céleres, além de melhorar o planejamento de médio e longo prazo do orçamento público. Concessões e parcerias público-privadas aparecem como instrumentos relevantes, sujeitos à preparação e à distribuição adequada dos riscos.
Na transição energética, o IEDI aponta a transmissão necessária para ligar a geração renovável do Nordeste aos centros consumidores e a infraestrutura de gás como exemplos de investimentos que conectam energia à competitividade industrial. O texto também menciona minerais críticos, biocombustíveis e cadeias industriais intensivas em energia, mas ressalta a necessidade de transformar recursos naturais em produção com maior valor agregado.
A Carta é uma contribuição de uma entidade privada ao debate de políticas públicas no ciclo de 2026. Não altera regras de concessão, determina obras ou compromete recursos. Seu valor para o acompanhamento do setor está em explicitar uma agenda mensurável: carteira de projetos estruturados, volume de investimento efetivamente contratado, tempo de licenciamento e regulação e resultados de produtividade e acesso aos serviços.
