Energia abundante, rede limitada: FIERN propõe ligar renováveis à indústria potiguar

Agenda apresentada nesta segunda-feira reúne propostas para transmissão, eólica offshore, hidrogênio e baterias no Rio Grande do Norte. Trata-se de recomendações, ainda sem obras aprovadas.
O Rio Grande do Norte possui uma base expressiva de geração renovável, mas a capacidade de escoamento e a atração de consumidores industriais ainda limitam o aproveitamento econômico dessa energia. Esse é o eixo da Agenda Caminhos do RN 2027–2030, apresentada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) nesta segunda-feira, 28 de setembro.
Segundo os dados reunidos pela FIERN, o estado soma 12,8 GW de capacidade eólica instalada e 6 GW de capacidade solar fotovoltaica. A entidade aponta 319 parques eólicos e 81 usinas solares em operação, além de empreendimentos em construção. A capacidade instalada não corresponde à geração efetivamente entregue em cada hora nem garante, por si, espaço disponível na transmissão.
Para enfrentar o problema, a agenda propõe expansão coordenada da rede, articulação estadual para licenças e autorizações de transmissão e atualização das regras ambientais aplicáveis aos parques eólicos e solares. São propostas de planejamento; a publicação não anuncia uma linha contratada, novo acesso concedido ou eliminação imediata dos cortes de geração.
A FIERN também defende preparação para a eólica offshore, inclusive infraestrutura portuária em Caiçara do Norte e uma cadeia local de montagem e manutenção. No hidrogênio e na amônia de baixa emissão, sugere integrar porto, energia e indústria e criar regras estaduais previsíveis para atrair projetos. A viabilidade de cada empreendimento continuará dependente de demanda, custos, conexão, licenciamento e financiamento.
No armazenamento, a entidade propõe atrair fabricantes de baterias e estimular projetos-piloto em grande escala. A proposta aproxima política industrial e operação do sistema: baterias podem deslocar energia entre horários, mas sua remuneração e a contribuição para reduzir restrições de rede precisam ser avaliadas conforme o ponto de conexão e as regras de mercado.
O interesse para investidores é a tentativa de transformar uma vantagem de geração em consumo industrial e empregos locais. Os próximos marcos verificáveis serão projetos de transmissão definidos, instrumentos regulatórios efetivamente publicados, licenças, compromissos de investimento e contratos de demanda. Até lá, a Agenda Caminhos do RN é uma plataforma de propostas da indústria, não um pacote de obras aprovado.
