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AIEA obtém trégua para reparar linha elétrica de Zaporizhzhia

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Equipe técnica repara linha de transmissão próxima a uma usina nuclear genérica, em ilustração sobre a segurança elétrica de Zaporizhzhia
Ilustração editorial produzida por inteligência artificial; não retrata a Usina Nuclear de Zaporizhzhia, sua linha elétrica ou a equipe real de reparo.

Trégua localizada permitiu iniciar o reparo da linha de 330 kV; usina segue dependente de dois geradores a diesel e bombas intermitentes.

Uma trégua localizada mediada pela Agência Internacional de Energia Atômica, a AIEA, entrou em vigor neste sábado (5) ao redor da linha elétrica danificada que atende a Usina Nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia. O acordo permitiu iniciar, depois da desminagem da área, o reparo da Ferosplavna-1, de 330 quilovolts, sob monitoramento da agência internacional.

A nova etapa é materialmente diferente da situação registrada pelo LAWINFRA em 30 de agosto. Naquele momento, a AIEA ainda negociava condições de segurança para chegar à linha. Agora, a agência confirma que o arranjo começou a ser executado e que técnicos ucranianos iniciaram o trabalho, cuja duração estimada é de alguns dias.

O início do reparo não significa que a alimentação externa já tenha sido restabelecida. A usina permanece desconectada da rede desde 20 de agosto e continua usando geradores de emergência a diesel para fornecer eletricidade aos sistemas essenciais. O próximo marco verificável será a conclusão da intervenção e a reconexão efetiva da linha.

Zaporizhzhia perdeu em agosto a única conexão externa que ainda estava disponível. Segundo a AIEA, foi a 26ª perda de alimentação elétrica fora do sítio durante o conflito. Antes da guerra, a instalação dispunha de dez linhas externas; a redução dessa redundância torna cada falha individual mais relevante para a segurança nuclear.

Há mais de duas semanas, os geradores de emergência fornecem a energia necessária principalmente às bombas que resfriam os seis reatores e as piscinas de combustível usado. A usina está desligada desde setembro de 2022, condição que reduz o calor residual a remover quando comparada a um reator em operação, mas não elimina a necessidade de resfriamento, controle e instrumentação.

Ao longo da última semana, o número de geradores em funcionamento foi reduzido de quatro para dois para economizar combustível. A medida quase cortou pela metade a potência disponível para o sítio. A AIEA também foi informada de que as bombas de resfriamento passaram a operar de forma intermitente para limitar o consumo de eletricidade.

A agência solicitou à administração da usina os registros que mostram quais bombas funcionaram, em quais períodos e quais foram as temperaturas dos circuitos primários dos reatores e das piscinas de combustível. Esse pedido é relevante porque substitui uma avaliação genérica do risco por parâmetros que permitem acompanhar a margem térmica e o desempenho real dos sistemas.

O cenário mais severo é o chamado station blackout, a perda simultânea da alimentação externa e das fontes internas de emergência. A AIEA advertiu que ele poderá ocorrer em poucos dias se a conexão não for restaurada e se o abastecimento de diesel não puder continuar. Isso não equivale à previsão de acidente em prazo determinado: o dano ao combustível levaria mais tempo com os reatores desligados, mas a condição precisa ser evitada.

Em 1º de setembro, a equipe internacional acompanhou a transferência de equipamentos móveis de contingência para a área da usina, incluindo um gerador a diesel, uma bomba acionada a diesel para uma piscina de combustível usado, peças de reposição, óleo lubrificante e anticongelante. Esses recursos reforçam a preparação, sem substituir uma conexão externa estável.

A trégua é a sétima mediada pelo diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, durante o conflito para permitir reparos ligados à segurança nuclear. Seu alcance é técnico e geograficamente limitado: não representa cessar-fogo geral, acordo político sobre o controle da usina nem normalização da operação dos reatores.

A formulação factual exige separar a confirmação da AIEA das acusações feitas pelos lados do conflito. A agência atribuiu a perda da linha a atividade militar ao norte do rio Dnipro, sem apontar responsabilidade, e informou que as duas partes cooperaram para viabilizar a trégua localizada. O LAWINFRA não reproduz alegações unilaterais sobre autoria dos danos sem verificação independente.

Para a infraestrutura energética, o episódio mostra a importância da redundância de rede em instalações críticas. Geradores são barreiras de defesa destinadas a contingências, não uma fonte estrutural de longo prazo. A segurança dependerá agora da continuidade do trabalho, do teste da linha reparada, da reconexão à rede e da manutenção de combustível suficiente até que a alimentação externa esteja comprovadamente estável.