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Zaporizhzhia depende de geradores e tem diesel para cerca de dez dias

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Usina nuclear de Zaporizhzhia sem alimentação elétrica externa e operando com energia de emergência
Imagem meramente ilustrativa, produzida com inteligência artificial; não corresponde a uma fotografia atual da Usina Nuclear de Zaporizhzhia.

Maior usina nuclear da Europa está sem alimentação elétrica externa desde 20 de agosto; agência negocia trégua localizada para permitir reparo da linha.

A Usina Nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia, completou mais de uma semana sem acesso à rede elétrica externa e depende de geradores de emergência a diesel para manter funções essenciais de segurança. A informação foi confirmada pela Agência Internacional de Energia Atômica, a AIEA, em atualização publicada em 29 de agosto.

A conexão com a única linha externa ainda disponível, a Ferosplavna-1, de 330 quilovolts, foi perdida em 20 de agosto, após atividade militar ao norte do rio Dnipro. Desde então, os geradores abastecem principalmente as bombas responsáveis pelo resfriamento dos seis reatores e das piscinas de combustível usado.

Os seis reatores estão desligados e os níveis de radiação permanecem normais. Isso reduz o risco imediato associado à geração de energia, mas não elimina a necessidade de eletricidade: mesmo em condição de parada, os sistemas de resfriamento, controle e segurança precisam permanecer em operação contínua.

A administração da usina informou à equipe da AIEA que havia aproximadamente dez dias de combustível diesel disponível, volume correspondente ao requisito regulatório mínimo. A estimativa não representa uma contagem regressiva automática para acidente, pois pode mudar com novas entregas, consumo operacional ou restauração da linha externa. Ela indica, entretanto, uma margem logística limitada.

A última entrega ao depósito externo de combustível ocorreu em março. Outro carregamento, previsto para maio, teria sido adiado pela frequência das atividades militares. Nos dias 27 e 28 de agosto, a equipe internacional acompanhou a transferência de dezenas de toneladas de diesel de locais próximos para a área da usina.

O diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, advertiu que, sem o restabelecimento da energia externa ou entregas adicionais de diesel, a instalação poderá enfrentar uma perda total de alimentação elétrica em cerca de dez dias. Esse cenário, conhecido como station blackout, comprometeria a última fonte disponível para os equipamentos indispensáveis à segurança.

A agência negocia uma trégua localizada para permitir o reparo da linha Ferosplavna-1. Se concretizado, será o sétimo arranjo desse tipo mediado pela AIEA desde o fim de 2025. Antes do conflito, Zaporizhzhia dispunha de dez linhas externas de energia; a dependência atual de uma única conexão revela a degradação da redundância do sistema.

A equipe internacional também relatou explosões frequentes nas proximidades e recebeu informações sobre três incidentes com drones durante a semana. Um deles teria ferido dois trabalhadores perto do reservatório de resfriamento; outros atingiram áreas relacionadas ao armazenamento de combustível usado e ao sistema de aspersão. A AIEA não registrou alteração nos níveis de radiação.

A situação deve ser acompanhada por três indicadores verificáveis: reposição do estoque de diesel, conclusão do reparo da linha externa e preservação dos sistemas de resfriamento. O risco decorre da combinação entre dependência prolongada de geração emergencial, dificuldade logística e atividade militar ao redor da maior usina nuclear da Europa — não de evidência, neste momento, de liberação radioativa.