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Vale estuda recuperar terras raras e ouro de resíduos da mineração

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Pesquisa mineral em planta-piloto com amostras de resíduos e minerais estratégicos
Imagem ilustrativa produzida com inteligência artificial.

Pesquisa ainda está em fase inicial e não representa decisão de investimento ou produção comercial; proposta busca extrair valor de materiais já retirados das minas.

A Vale estuda recuperar terras raras, ouro e outros minerais presentes em resíduos de suas operações. A iniciativa foi apresentada pelo vice-presidente técnico da companhia, Rafael Bittar, durante a Exposibram 2026, realizada em Belo Horizonte.

A pesquisa está em estágio inicial. Segundo o executivo, os primeiros resultados são considerados encorajadores, mas a empresa ainda não anunciou decisão de investimento, localização de unidade industrial, capacidade de processamento ou cronograma de produção comercial.

O projeto integra a estratégia de mineração circular, que procura obter novos produtos a partir de materiais já extraídos. Em vez de tratar todo o resíduo como destinação final, a empresa avalia sua composição e a possibilidade técnica e econômica de separar minerais que permaneceram no material depois do beneficiamento original.

Terras raras formam um grupo de elementos utilizados, entre outras aplicações, em ímãs de alto desempenho para veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. A concentração global do processamento tornou essas cadeias objeto de políticas industriais e de segurança de suprimento.

A existência de determinados elementos em um resíduo não significa que sua recuperação seja viável. Teor, distribuição mineralógica, volume disponível, tecnologia de separação, consumo de água e energia, qualidade do produto e custos de processamento precisarão ser avaliados em conjunto.

O enquadramento ambiental também será relevante. O reaproveitamento pode reduzir o volume destinado a estruturas de disposição e aproveitar áreas já impactadas, mas não elimina os riscos associados à movimentação, ao reprocessamento e à geração de novos rejeitos. Cada solução dependerá de licenciamento e controles compatíveis com suas características.

A Vale informou que já recuperou mais de 20 milhões de toneladas de minério de ferro a partir de resíduos em 2025. Esse histórico demonstra experiência no reaproveitamento de materiais, mas não permite concluir que a recuperação de terras raras e ouro terá a mesma escala ou viabilidade.

Para se transformar em cadeia comercial, a pesquisa precisará demonstrar regularidade da matéria-prima e capacidade de produzir concentrados ou produtos com especificações aceitas pelos compradores. Também será necessário definir se o processamento ocorrerá nas próprias operações ou por meio de parceiros especializados.

A iniciativa aproxima dois objetivos distintos: reduzir passivos e ampliar a oferta de minerais estratégicos. Os benefícios ambientais e econômicos deverão ser medidos separadamente, evitando que a expressão economia circular seja utilizada como conclusão antecipada sobre a sustentabilidade de um processo ainda em estudo.

Do ponto de vista regulatório, o avanço exigirá clareza sobre o tratamento dos materiais, as autorizações minerárias e ambientais, a responsabilidade sobre as estruturas existentes e a rastreabilidade dos produtos recuperados. A previsibilidade dessas regras pode influenciar a passagem da pesquisa para uma eventual escala industrial.

O anúncio é relevante por indicar uma nova frente tecnológica dentro de uma grande mineradora brasileira. O próximo fato material será a divulgação de resultados técnicos, projeto-piloto, investimento ou parceria que permita avaliar se a recuperação poderá sair do laboratório e alcançar produção comercial.