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Vale estima potencial de até 50 milhões de toneladas por ano no Bloco C de Serra Sul

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Operação de minério de ferro em Serra Sul, com mina em bancadas e infraestrutura de transporte cercada por áreas preservadas
Imagem ilustrativa produzida com inteligência artificial.

Área em Carajás ainda não tem investimento, decisão de implantação ou cronograma definidos e dependerá de estudos, autorizações e licenciamento ambiental.

A Vale estima que o Bloco C, área localizada em Serra Sul, no complexo mineral de Carajás, no Pará, poderá acrescentar entre 40 milhões e 50 milhões de toneladas anuais à sua capacidade de produção de minério de ferro. A avaliação foi apresentada pelo presidente da companhia, Gustavo Pimenta, nesta terça-feira, 25 de agosto, durante a Exposibram, em Salvador.

A estimativa descreve o potencial mineral da área e não uma expansão já aprovada. A empresa ainda não divulgou investimento, decisão definitiva de implantação ou cronograma para o projeto. O avanço dependerá da conclusão dos estudos e dos processos de autorização e licenciamento aplicáveis.

O Bloco C integra a província mineral de Serra Sul, onde funciona o S11D. A operação existente produziu 23,4 milhões de toneladas no segundo trimestre de 2026, recorde para o período e volume 2,5 milhões de toneladas superior ao registrado um ano antes, segundo o relatório de produção da Vale.

A companhia também mantém em implantação o projeto Serra Sul +20 e um britador compacto, com início previsto para o segundo semestre de 2026 e contribuição esperada para a produção a partir de 2027. Essas iniciativas pertencem à expansão da estrutura existente e não devem ser confundidas com uma eventual implantação do Bloco C.

Pimenta relacionou o desenvolvimento da nova área à modernização das regras aplicáveis às cavidades naturais subterrâneas. A afirmação ocorre enquanto o governo federal prepara uma atualização normativa sobre o tema, sensível para a mineração em Carajás por reunir interesses econômicos, proteção ambiental e patrimônio espeleológico.

Uma nova regulamentação, por si só, não autorizará a exploração do Bloco C. O empreendimento continuará sujeito aos estudos ambientais, à demonstração de viabilidade e às decisões dos órgãos competentes. O tratamento jurídico das cavidades será, contudo, um dos elementos relevantes para definir o desenho e a possibilidade de aproveitamento da jazida.

Caso avance, a nova capacidade exigirá compatibilização com processamento, logística ferroviária e escoamento portuário do Sistema Norte. Nesta fase, porém, não há base pública suficiente para atribuir ao projeto volumes de investimento, obras determinadas ou data de entrada em operação.

A sinalização interessa ao ambiente de negócios porque antecipa uma possível expansão de grande porte em Carajás e evidencia o peso da previsibilidade regulatória nas decisões de capital da mineração. O desafio será conciliar essa previsibilidade com critérios ambientais verificáveis e com a avaliação individual do empreendimento.