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Trabalhadores da Eletronuclear anunciam greve a partir de 1º de setembro

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Complexo nuclear de Angra dos Reis e trabalhadores associados à manutenção da segurança operacional
Imagem ilustrativa produzida com inteligência artificial.

Sindicato comunicou paralisação por tempo indeterminado e informou que operadores e segurança permanecerão em turnos essenciais; anúncio não implica desligamento automático das usinas.

Os trabalhadores da Eletronuclear anunciaram greve por tempo indeterminado a partir de zero hora de 1º de setembro. A deliberação foi comunicada formalmente à direção da companhia pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica nos Municípios de Parati e Angra dos Reis, o STIEPAR.

O ofício sindical relaciona a paralisação ao risco de descontinuidade do Acordo Coletivo de Trabalho e à ausência, segundo a entidade, de solução satisfatória para a continuidade das negociações. O comunicado é datado de 26 de agosto e foi divulgado nesta sexta-feira.

Durante o movimento, o sindicato afirma que manterá turnos de 12 horas exclusivamente para operadores e profissionais de segurança. A entidade sustenta que essas equipes são indispensáveis à segurança nuclear e operacional da instalação e à proteção dos trabalhadores e da população.

O anúncio de greve não significa, por si só, que Angra 1 e Angra 2 serão desligadas em 1º de setembro. A continuidade da geração dependerá da composição efetiva das equipes, dos protocolos de segurança, das decisões da operadora e do acompanhamento dos órgãos responsáveis pelo setor nuclear.

Usinas nucleares operam sob exigências específicas de segurança e não podem ser tratadas como instalações industriais comuns. Mesmo quando uma unidade deixa de gerar energia, sistemas de resfriamento, monitoramento, proteção física e resposta a emergências precisam permanecer ativos.

A Lei nº 7.783/1989 disciplina o exercício do direito de greve e exige a manutenção de serviços ou atividades indispensáveis quando a paralisação puder causar prejuízo irreparável. A definição concreta do contingente necessário pode ser negociada entre empresa e trabalhadores ou submetida ao Judiciário em caso de impasse.

O comunicado sindical preserva expressamente operadores e segurança, mas não detalha todas as funções técnicas que a Eletronuclear poderá considerar indispensáveis. Esse ponto tende a ocupar a negociação sobre a escala mínima antes do início do movimento.

A Eletronuclear é responsável por Angra 1, com potência de 640 megawatts, e Angra 2, com 1.350 megawatts, além do empreendimento de Angra 3. As duas unidades em operação fornecem geração contínua ao Sistema Interligado Nacional.

A companhia atravessa simultaneamente desafios financeiros e de governança, incluindo o financiamento da extensão da vida útil de Angra 1. A greve anunciada possui causa trabalhista distinta e não deve ser apresentada como consequência automática desses outros processos.

O sindicato declarou permanecer aberto ao diálogo. Também está prevista audiência de conciliação antes do início da greve, circunstância que pode produzir acordo, alterar as condições do movimento ou definir serviços mínimos.

A informação central neste momento é a existência de um comunicado formal de paralisação. Qualquer afirmação sobre redução de geração, desligamento de unidade ou impacto no sistema elétrico dependerá de decisão operacional posterior e de confirmação pela Eletronuclear.