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Data centers levam infraestrutura de refrigeração ao centro de aquisição de US$ 3,4 bilhões

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Sistemas de refrigeração, trocadores de calor e tubulações integrados a um centro de dados
Ilustração editorial produzida por inteligência artificial; não retrata uma instalação real da SLB ou da Kelvion.

Compra da Kelvion inclui US$ 700 milhões em dívida e mostra que refrigeração e eficiência térmica passaram a ocupar posição estratégica na expansão da inteligência artificial.

A SLB firmou acordo para adquirir a Kelvion, fabricante global de equipamentos de gestão térmica e troca de calor, por aproximadamente US$ 3,4 bilhões em dinheiro. A compradora também assumirá cerca de US$ 700 milhões em dívida, elevando o valor empresarial da operação para aproximadamente US$ 4,1 bilhões.

A transação mostra que a expansão dos data centers não depende apenas de chips, servidores e disponibilidade de energia. À medida que a densidade computacional cresce, remover o calor produzido pelos equipamentos se torna uma condição física para ampliar capacidade, preservar desempenho e evitar interrupções.

A Kelvion fornece trocadores de calor e soluções de refrigeração utilizadas em diferentes atividades industriais. Nos data centers, esses sistemas transferem o calor dos ambientes e equipamentos para circuitos de água ou outros meios de dissipação, reduzindo a temperatura necessária à operação segura dos servidores.

Segundo a SLB, os negócios combinados deverão superar US$ 2 bilhões em receitas ligadas a data centers em 2026, com EBITDA ajustado próximo de US$ 300 milhões. Para 2028, a companhia projeta receitas entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhões e EBITDA ajustado de US$ 700 milhões a US$ 800 milhões.

EBITDA é uma medida de resultado operacional antes de juros, tributos, depreciação e amortização. Ela ajuda a comparar a geração operacional de caixa, mas não corresponde ao lucro líquido nem elimina despesas financeiras, investimentos ou impostos.

O preço anunciado equivale a aproximadamente onze vezes o EBITDA estimado da Kelvion para 2026 antes das sinergias. Considerando os ganhos projetados pela compradora, o múltiplo cairia para cerca de 8,5 vezes. Sinergias são reduções de custos ou receitas adicionais esperadas da integração; permanecem projeções até que sejam efetivamente realizadas.

A SLB estima obter aproximadamente US$ 120 milhões anuais em sinergias de EBITDA em até três anos. Parte viria de eficiência de custos e parte da venda integrada de refrigeração, energia e infraestrutura modular para grandes centros de processamento de dados.

A operação também revela uma mudança de posicionamento. Conhecida pela atuação em tecnologia para energia, a SLB procura capturar demanda criada pela inteligência artificial em instalações elétricas e térmicas. O movimento aproxima fornecedores do setor energético da cadeia de infraestrutura digital.

O fechamento está previsto para o primeiro semestre de 2027 e depende de condições usuais, inclusive aprovações regulatórias. Até a conclusão, SLB e Kelvion permanecem empresas independentes; o anúncio do contrato não equivale à transferência imediata do controle.

Para o mercado brasileiro, a transação reforça um ponto relevante: a viabilidade de novos data centers deve considerar simultaneamente conexão elétrica, disponibilidade hídrica, eficiência térmica, licenciamento, redundância e contratos de longo prazo. A capacidade computacional só se materializa quando toda essa infraestrutura entra em operação de forma coordenada.

A próxima etapa será a análise concorrencial e regulatória nos países envolvidos. Depois do fechamento, será necessário verificar se as receitas e sinergias projetadas se confirmam e se a integração amplia a eficiência sem aumentar excessivamente a concentração de fornecedores críticos.