Financiamento de US$ 1,55 bilhão reforça compra da produção da Serra Verde

Estrutura financeira remove uma condição relevante da aquisição da mineradora instalada em Goiás, mas a operação societária ainda não foi concluída.
Um veículo financeiro apoiado pelo governo dos Estados Unidos concluiu nesta segunda-feira, 24 de agosto, a estrutura de capital destinada à compra da produção da primeira fase da Serra Verde, proprietária da mina e da planta de processamento Pela Ema, em Minaçu, Goiás. O pacote soma US$ 1,55 bilhão e representa uma etapa necessária para a aquisição da companhia brasileira pela USA Rare Earth, mas não significa que a operação societária já tenha sido concluída.
Segundo a USA Rare Earth, o governo norte-americano comprometeu US$ 750 milhões com o veículo de propósito específico, valor US$ 250 milhões superior ao previsto inicialmente. A estrutura inclui ainda compromisso de até US$ 500 milhões em crédito rotativo garantido por um banco institucional não identificado e contrato pelo qual o governo dos Estados Unidos comprará ao menos US$ 300 milhões em produtos de terras raras durante cinco anos.
O veículo deverá adquirir 100% da produção da primeira fase da Serra Verde por meio de contrato de longo prazo com cláusula de compra obrigatória e preços mínimos. A companhia produz em Goiás elementos empregados em ímãs permanentes, entre eles neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e aplicações de defesa.
A USA Rare Earth anunciou em 20 de abril acordo para adquirir a totalidade da Serra Verde. A transação foi estimada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões, mediante US$ 300 milhões em dinheiro e emissão de ações. O fechamento continua sujeito às condições remanescentes e é esperado depois da assembleia especial de acionistas marcada para 28 de agosto.
A operação ganha relevância para o Brasil porque associa um ativo mineral instalado no país à estratégia norte-americana de reduzir a dependência asiática em minerais críticos. A Serra Verde iniciou produção comercial em 2024, após investimentos superiores a US$ 1,1 bilhão, e projeta elevar a capacidade da primeira fase para aproximadamente 6,4 mil toneladas anuais de óxidos totais de terras raras até o fim de 2027.
O anúncio desta segunda-feira, portanto, não corresponde à compra concluída da mineradora nem à inauguração de um projeto. O fato novo é a conclusão da estrutura financeira que sustentará a aquisição da produção e que remove uma das condições relevantes para o fechamento da transação societária.
