Rio Brasil Terminal inaugura novos guindastes em expansão de R$ 948 milhões

Dois portêineres capazes de atender navios de até 24 mil TEU integram plano que prevê ampliar em mais de 70% a capacidade anual do terminal.
O Rio Brasil Terminal inaugurou dois novos guindastes de cais do tipo Ship-to-Shore, conhecidos no setor como portêineres, como parte do programa de expansão e modernização de suas instalações no Porto do Rio de Janeiro. Com os equipamentos, o terminal passa a operar com sete portêineres.
Os novos guindastes foram projetados para atender navios com capacidade de até 24 mil TEU. TEU é a unidade equivalente a um contêiner de vinte pés e funciona como medida padronizada da capacidade de navios e terminais.
A entrega dos equipamentos integra um plano de investimentos de R$ 948 milhões anunciado pela International Container Terminal Services, controladora do terminal. Desse total, aproximadamente R$ 414,4 milhões foram destinados a obras de infraestrutura e R$ 533,5 milhões à aquisição de equipamentos, tecnologia e automação.
A previsão empresarial é elevar a capacidade anual de 440 mil para 750 mil TEU, crescimento superior a 70%. A companhia também indicou a possibilidade de alcançar 1,2 milhão de TEU em etapa posterior, mas essa projeção não deve ser confundida com capacidade já instalada ou contratualmente garantida.
O Terminal 1 possui atualmente 800 metros de cais e calado homologado de até 15,3 metros. A combinação entre profundidade, extensão de cais, equipamentos e pátios define o porte dos navios que podem ser atendidos e a velocidade com que as cargas são movimentadas.
O investimento não se limita aos guindastes. O programa inclui integração e ampliação dos pátios, reorganização de edificações e fluxos internos, modernização dos sistemas elétricos e implantação de recursos de controle de acesso, monitoramento e gestão de cargas.
A empresa informou ter avançado no cumprimento do Termo de Risco de Investimento firmado com o Ministério de Portos e Aeroportos em novembro de 2025. O instrumento permite antecipar determinados investimentos por conta e risco do operador, sem transformar automaticamente todos os valores aplicados em direito a reequilíbrio ou indenização.
A disponibilização de instalações não operacionais deverá permitir o início das obras de integração dos pátios. Essa etapa é relevante porque a capacidade nominal de um terminal depende não apenas do cais, mas também do espaço e da eficiência para receber, organizar e expedir os contêineres.
Outra frente é o Centro de Logística, Operações Industriais e Portuárias, o CLIP, previsto para uma área de 171 mil metros quadrados no Caju. O projeto reúne pátios, berço para operações multipropósito, conexão ferroviária e instalações industriais voltadas, entre outros setores, às cadeias naval e de óleo e gás.
Segundo a companhia, as atividades de logística, movimentação e armazenagem nas áreas e armazéns não alfandegados já possuem as autorizações e o licenciamento ambiental necessários. Cada nova obra ou operação sujeita a controle próprio, contudo, deverá observar as condições das licenças e dos contratos aplicáveis.
O plano também inclui o Rio Connecta+, rede destinada a ligar o porto a terminais multimodais e às malhas ferroviária e rodoviária. A estrutura conecta instalações no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais e busca ampliar o alcance do terminal para polos industriais e regiões produtoras do Centro-Oeste.
A dimensão multimodal é central para o resultado econômico do investimento. A expansão do cais perde eficiência se os acessos terrestres, os pátios e os terminais interiores não conseguirem distribuir o volume adicional sem congestionamentos e tempos excessivos de permanência.
A ICTSI projeta que, com a execução integral do programa, o terminal opere com utilização próxima de 75% da capacidade entre 2029 e 2030. A estimativa pressupõe crescimento de demanda e conclusão coordenada das diferentes etapas do projeto.
Para o sistema portuário, a expansão aumenta a capacidade de atendimento de navios de grande porte e pode absorver parte da demanda concentrada em Santos. O efeito efetivo sobre custos e competitividade dependerá, entretanto, de escala, produtividade, conexões terrestres, frequência das linhas marítimas e condições comerciais oferecidas aos usuários.
A inauguração dos portêineres marca uma entrega concreta dentro de um plano plurianual. As próximas etapas relevantes serão a integração dos pátios, a implantação do centro logístico do Caju e a comprovação de que a expansão física se converterá em maior movimentação, previsibilidade operacional e redução de gargalos.
