Atrasos em cargas sauditas pressionam refinarias asiáticas e fretes de petróleo

Uma refinaria foi avisada de atraso sem nova data e outras três aguardam definição sobre cargas de Yanbu; fretes do Golfo à Ásia atingiram recordes.
Refinarias asiáticas passaram a enfrentar neste domingo e nesta segunda-feira, 13 e 14 de setembro, os primeiros efeitos operacionais confirmados da paralisação do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita. Uma compradora foi informada de que seu carregamento seria atrasado, mas ainda não recebeu nova data. Outras três refinarias aguardavam a Saudi Aramco esclarecer se cargas programadas em Yanbu seriam postergadas ou suspensas.
A companhia saudita ainda não havia comunicado mudanças gerais nas alocações nem divulgado cronograma para reparar o duto, segundo fontes do mercado ouvidas pela Reuters. A incerteza importa porque compradores asiáticos dependem de petróleo de maior teor de enxofre, conhecido como óleo azedo, e podem disputar volumes limitados do Iraque e dos Emirados Árabes Unidos, com preços e fretes mais altos.
Os embarques monitorados em Yanbu já haviam recuado para uma faixa entre 500 mil e 1 milhão de barris por dia em julho, ante cerca de 6 milhões em junho. Essa queda precede o ataque ao oleoduto e estava ligada ao bloqueio houthi no Mar Vermelho; portanto, não deve ser contabilizada como perda provocada integralmente pela interrupção atual.
Refinarias chinesas interromperam desde agosto carregamentos pelo Mar Vermelho, por Yanbu e pelos terminais egípcios de Ain Sukhna e Sidi Kerir. Com o novo bloqueio terrestre, as tarifas de petroleiros na rota do Golfo para a Ásia atingiram níveis recordes, enquanto transferências de carga entre navios e desvios logísticos ampliam custo, tempo de viagem e incerteza contratual.
Parte dos navios opera com o Sistema de Identificação Automática, o AIS, desligado, o que reduz a precisão do rastreamento público. Programações indicadas para os petroleiros Lahore, Aspen e Kenya B mostram intenção de carregamento, mas não comprovam que o óleo foi transferido nem que as datas serão mantidas.
Os contratos futuros de petróleo subiam cerca de 3% na manhã desta segunda-feira, 14 de setembro, depois de novos ataques contra infraestrutura energética e civil saudita e embarcações no Golfo ampliarem o risco de oferta. Às 7h no horário de Greenwich, o Brent avançava US$ 2,93, ou 2,8%, a US$ 107,54 por barril, enquanto o West Texas Intermediate, o WTI, ganhava US$ 2,88, ou 2,9%, a US$ 102,93.
As cotações representam preços intradiários de contratos futuros, não fechamento nem custo automaticamente transferido ao consumidor. A reação combina a paralisação do oleoduto Leste-Oeste, novos danos relatados na província saudita de Jazan, ataques a navios no Golfo e o avanço houthi no Estreito de Bab el-Mandeb; o peso de cada fator no preço não pode ser isolado com precisão.
O encontro previsto para esta segunda-feira, em Omã, entre países do Golfo e o Irã para discutir a navegação no Estreito de Hormuz foi adiado, segundo o chanceler omanense Badr Albusaidi. Não foi divulgada nova data. O adiamento retira um marco diplomático de curto prazo, mas não significa por si só abandono das negociações nem agravamento físico adicional da infraestrutura.
O oleoduto Leste-Oeste continuava temporariamente fechado e não havia avaliação oficial conclusiva sobre a extensão dos danos ou o prazo de retomada. A alta do petróleo mostra que o mercado passou a precificar com maior intensidade o risco logístico; ainda não confirma perda efetiva de 4% da oferta global, cenário que depende da duração da interrupção e do consumo dos estoques disponíveis.
A Arábia Saudita pode perder capacidade de exportar cerca de 4 milhões de barris por dia — volume equivalente a aproximadamente 4% da oferta mundial — se não reativar em poucos dias o oleoduto Leste-Oeste. A estimativa foi apresentada neste domingo, 13 de setembro, por compradores e operadores ouvidos pela Reuters e não constitui projeção oficial do governo saudita.
O país vinha desviando esse volume pelo duto até o terminal de Yanbu, no Mar Vermelho, para contornar a forte redução do tráfego no Estreito de Hormuz. Três fontes ligadas às exportações estimaram que os estoques disponíveis em Yanbu permitem manter os embarques por apenas cinco a sete dias. Uma quarta fonte apontou reservas adicionais por alguns dias nos terminais egípcios de Ain Sukhna e Sidi Kerir.
As capacidades nominais de armazenamento são estimadas em 35 milhões de barris em Yanbu, 18 milhões em Ain Sukhna e 20 milhões em Sidi Kerir, mas os tanques não estavam cheios, segundo as fontes. Capacidade instalada e estoque efetivamente disponível são grandezas diferentes; por isso, esses totais não autorizam calcular de forma direta quantos dias de exportação restam.
Também não há prazo oficial para o reparo. Uma fonte ouvida pela Reuters avaliou que os danos poderiam exigir cinco a seis semanas, enquanto outra considerou possível uma retomada mais rápida e parcial durante os trabalhos. O governo e o Ministério da Energia da Arábia Saudita não haviam respondido ao pedido de informações sobre a extensão dos danos e o cronograma.
A exposição de até 4% da oferta global é um risco condicionado à duração da paralisação, não uma perda física já consumada. O impacto efetivo dependerá do uso de estoques, de uma eventual operação parcial do oleoduto, da disponibilidade dos terminais egípcios, do fluxo remanescente por Hormuz e das decisões de compradores, transportadores e seguradoras.
Um projétil atingiu neste domingo, 13 de setembro, uma embarcação que atravessava o Estreito de Hormuz, segundo relato recebido pela United Kingdom Maritime Trade Operations, a UKMTO. Um incêndio começou depois do impacto e autoridades locais retiraram a tripulação. Não havia, no primeiro informe, identificação pública do navio, de sua carga, da origem do projétil ou de vítimas.
Nenhum grupo havia reivindicado a autoria. O registro confirma uma ocorrência marítima e a evacuação, mas ainda não permite classificar a embarcação como petroleiro, medir danos, estimar poluição ou concluir que todo o estreito esteja fechado. Essas respostas dependem de atualização da autoridade marítima, do operador e de inspeção técnica.
O ataque amplia o risco sobre a rota no dia seguinte à confirmação de que o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita permanecia temporariamente fechado. A infraestrutura vinha transportando entre 4 milhões e 5 milhões de barris por dia — cerca de 4% a 5% da oferta mundial — e funcionava como principal alternativa saudita ao tráfego fortemente reduzido por Hormuz.
A primeira sessão do mercado saudita depois dos ataques mostrou reação negativa neste domingo, 13 de setembro. O índice de referência TASI recuava 1% nas negociações da manhã, enquanto a Saudi Aramco caía 1,1%, a Saudi Arabian Mining Company perdia 2,4% e a Rabigh Refining and Petrochemical Company recuava 7,3%, segundo dados de bolsa reunidos pela Reuters.
Os números são movimentos intradiários, não preços de fechamento nem estimativa direta do dano físico ao oleoduto. Ainda assim, sinalizam que o risco sobre infraestrutura energética alcançou avaliações de empresas de petróleo, refino, petroquímica e mineração. No mesmo período, o índice do Catar avançava 0,2%, o que afasta a leitura de uma queda uniforme em todas as bolsas do Golfo.
Forças houthis chegaram nesta sexta-feira, 11 de setembro, à ilha de Perim, no Estreito de Bab el-Mandeb, e também tomaram a cidade costeira de Dhubab, segundo fontes do governo iemenita ouvidas pela Reuters. O avanço ocupa as duas posições que, um dia antes, ainda limitavam a capacidade do grupo de pressionar diretamente essa rota entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden.
A presença nas duas margens estreita o espaço operacional para a navegação, mas não permite afirmar que todo o tráfego esteja bloqueado. Controle territorial, capacidade de atacar navios, resposta militar e decisões de armadores e seguradoras são fatores diferentes. O porta-voz houthi afirmou que embarcações não sauditas poderiam navegar; a segurança efetiva dessa promessa ainda precisa ser demonstrada.
Em outra frente, drones lançados do Iraque atingiram o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, segundo autoridades sauditas. Na madrugada de sábado, 12 de setembro, a infraestrutura permanecia fechada por precaução enquanto equipes avaliavam os danos e a segurança da retomada.
Bagdá e Riad confirmaram que os aparelhos partiram de território iraquiano, sem atribuir publicamente a autoria a um grupo. O governo do Iraque informou ter afastado o comandante militar da província de Maysan e fechado uma passagem de fronteira. Autoridades sauditas relataram feridos e danos à infraestrutura, mas não divulgaram balanço técnico conclusivo sobre capacidade atingida ou prazo de reparo.
A Arábia Saudita pediu apoio militar dos Estados Unidos depois dos ataques, e Washington forneceu inteligência a Riad, segundo fontes ouvidas pela Reuters. Apoio solicitado, compartilhamento de informação e eventual resposta operacional são estágios diferentes; não havia anúncio público de intervenção militar específica para reabrir o duto.
O oleoduto de 1.200 quilômetros liga áreas produtoras sauditas ao Mar Vermelho e vinha transportando entre 4 milhões e 5 milhões de barris por dia, equivalentes a aproximadamente 4% a 5% da oferta mundial, segundo rastreamento de navios e analistas citados pela Reuters. Sua paralisação temporária retira capacidade da principal alternativa saudita ao Estreito de Hormuz.
A combinação de Perim, Dhubab e do ataque ao duto altera o mapa logístico do choque. O país havia ampliado o uso da costa do Mar Vermelho depois da forte redução do fluxo por Hormuz. Restrições simultâneas ao estreito e à rota terrestre elevam o risco de filas, fretes, seguro, estoques e indisponibilidade de cargas, mesmo que os ativos sejam reparados ou retomados rapidamente.
A Agência Internacional de Energia estimou que a oferta saudita caiu 2,3 milhões de barris por dia em agosto, para 6 milhões, o menor nível em mais de três décadas. O próprio país informou à agência produção de 6,238 milhões e oferta de 7,122 milhões de barris por dia, diferença que reflete conceitos e fluxos distintos. A queda antecede o ataque mais recente e mostra que a margem logística já estava pressionada.
O Brent fechou a sexta-feira a US$ 104,61 por barril, queda de 2,81%, e o West Texas Intermediate terminou a US$ 100,05, recuo de 2,37%. Os contratos devolveram parte da alta depois de se aproximarem de US$ 110 e após notícia sobre tentativas diplomáticas para administrar a navegação em Hormuz, mas acumularam avanço superior a 8% na semana.
A retração diária não elimina o choque nos derivados. O preço médio nacional do diesel nos Estados Unidos superou US$ 6 por galão pela primeira vez, segundo o GasBuddy citado pela Reuters. Petróleo bruto e derivados respondem a mercados distintos: capacidade de refino, estoques e interrupções em refinarias também influenciam a formação de preços.
A Agência Internacional de Energia, a AIE, aprofundou nesta sexta-feira, 11 de setembro, sua estimativa para o choque do mercado de petróleo em 2026. A oferta mundial deverá ficar 5,7 milhões de barris por dia abaixo do nível de 2025, queda equivalente a aproximadamente 6%. No relatório anterior, a agência projetava redução de cerca de 4%.
A produção global é estimada em 100,7 milhões de barris por dia no conjunto de 2026. A demanda também recua, mas em menor intensidade: queda de 2,5 milhões de barris por dia, para 102,4 milhões. A diferença entre os totais anuais sinaliza pressão sobre estoques e fluxos comerciais, embora não deva ser lida como falta física idêntica em todos os dias ou mercados.
Segundo a AIE, a produção caiu 1,6 milhão de barris por dia em agosto, para 100,1 milhões, enquanto os estoques foram consumidos ao ritmo de 3,1 milhões de barris por dia. O primeiro número mede mudança no fluxo de produção; o segundo representa a retirada média de reservas comerciais e estratégicas durante o mês.
A normalização das exportações pelo Golfo foi deslocada para 2027. No próximo ano, a agência projeta recuperação de 8 milhões de barris por dia na oferta e aumento de 2,6 milhões na demanda. O cenário depende da duração do conflito, da segurança da navegação, da capacidade de reparar instalações e do retorno de produtores e transportadores.
Forças houthis tomaram o porto de Mocha, no Iêmen, e avançaram sobre as ilhas Hanish na quinta-feira, 10 de setembro. O movimento antecedeu a chegada a Perim e Dhubab e aproximou o conflito do Estreito de Bab el-Mandeb, passagem que ganhou importância para o escoamento saudita depois da redução do tráfego pelo Estreito de Hormuz.
Quatro fontes militares do governo iemenita confirmaram à Reuters a perda de Mocha, e duas fontes governamentais relataram a chegada dos houthis às ilhas. A Associated Press ouviu moradores e médicos que confirmaram a entrada do grupo na cidade portuária. O comandante das forças governistas da costa oeste informou ter realizado uma retirada estratégica para o sul.
No fechamento de quinta-feira, antes do avanço a Perim e do recuo de sexta, o Brent havia terminado a US$ 107,63 e o West Texas Intermediate, referência norte-americana, a US$ 102,48. A comparação entre as duas sessões mostra a volatilidade provocada pela combinação de risco físico e sinais diplomáticos, sem demonstrar normalização do abastecimento.
O avanço no Iêmen cria um segundo foco de risco para a logística energética. A Arábia Saudita passou a depender mais de terminais no Mar Vermelho para contornar Hormuz; uma ameaça simultânea às duas passagens pode elevar fretes, prêmios de seguro, tempo de viagem e o custo de manter embarcações disponíveis.
O fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz continua muito abaixo do nível anterior à guerra. A passagem respondia por aproximadamente um quinto do suprimento mundial de petróleo e gás antes do conflito; a redução do trânsito expõe carregamentos, seguros, terminais e cadeias de abastecimento a restrições persistentes.
O Brent acumula alta próxima de 30% desde as mínimas de agosto. O movimento não decorre apenas dos navios atingidos: incorpora o risco de interrupções adicionais, menor disponibilidade física de cargas e expectativa de que o conflito dure mais do que o mercado projetava semanas atrás.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a OPEP, reduziu para aproximadamente 380 mil barris por dia sua projeção de crescimento da demanda mundial em 2026. Foi a quinta revisão negativa consecutiva do indicador. A nova estimativa é uma previsão de consumo, não uma medição de barris efetivamente retirados do mercado, e mostra que o choque de oferta e logística pode sustentar preços elevados mesmo com expansão mais fraca da demanda.
A OPEP ainda projeta crescimento do consumo em 2026, enquanto a Agência Internacional de Energia estima contração no ano. A divergência entre os dois cenários reforça a incerteza do balanço global. Para 2027, a organização elevou sua expectativa de crescimento da demanda, mas a realização desse cenário dependerá da atividade econômica, dos preços, da eficiência energética e da duração das restrições de oferta.
A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos, conhecida pela sigla EIA, projeta que a produção de petróleo do Oriente Médio permanecerá abaixo da média anterior ao conflito até o segundo trimestre de 2027. O novo cenário oficial, divulgado nesta quarta-feira (9), prolonga o horizonte de restrição da oferta enquanto ataques a navios ampliam o risco operacional no Estreito de Hormuz e no Golfo de Omã.
A EIA estima que os estoques globais de petróleo diminuíram aproximadamente 400 milhões de barris desde o início de 2026 e continuarão caindo até o fim do ano. A agência elevou para US$ 91 por barril a previsão do preço médio do Brent em 2026, com média próxima de US$ 90 no segundo semestre, e projeta recuo para US$ 74 em 2027 à medida que produção e estoques se recuperem.
O cenário pressupõe aumento gradual dos fluxos por Hormuz e maior utilização de rotas alternativas, mas mantém restrições relevantes às exportações da região até dezembro. A projeção não constitui garantia de normalização: depende da segurança da navegação, da disponibilidade de terminais e oleodutos, da capacidade de redirecionar cargas e da evolução do conflito.
Há um limite temporal importante. A EIA concluiu em 3 de setembro os dados e premissas utilizados no modelo. Portanto, o relatório divulgado em 9 de setembro não incorpora especificamente os ataques realizados cinco dias depois do fechamento das projeções. Esses episódios podem alterar preços, seguros, produção e cronogramas em relação ao cenário-base.
Forças dos Estados Unidos atacaram cinco petroleiros iranianos em 8 de setembro, segundo comunicado do Comando Central norte-americano, o CENTCOM. A ofensiva contra ativos da cadeia de exportação foi seguida por relatos de outros navios atingidos e levou o Brent a superar brevemente US$ 100 por barril nesta quarta-feira.
O CENTCOM identificou os petroleiros Kaviz, Charminar, Horizon 1 e Riesco no Golfo de Omã e o Derya nas proximidades da ilha de Kharg. O comando afirmou que as tripulações receberam instruções para abandonar as embarcações antes dos ataques e que os cinco navios foram deixados inoperantes.
A extensão definitiva dos danos ainda não foi verificada por inspeção técnica independente. Imagens divulgadas pelo comando e examinadas pela Reuters mostram embarcações em chamas e ao menos um navio afundando, mas não substituem laudos sobre casco, carga, poluição, possibilidade de salvamento ou perda total.
Os Estados Unidos apresentaram a operação como resposta a duas tentativas iranianas de atingir um navio de guerra norte-americano com mísseis balísticos durante os dois dias anteriores. O CENTCOM declarou que a embarcação militar evitou os ataques e que nenhum integrante das forças norte-americanas ficou ferido. Essas informações partem de uma das partes do conflito.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter respondido contra dez navios: duas embarcações norte-americanas e oito petroleiros que tentariam cruzar uma área declarada proibida e insegura no Estreito de Hormuz. A relação completa dos alvos, os acertos e os danos alegados pelo Irã não haviam sido confirmados de forma independente.
A United Kingdom Maritime Trade Operations, autoridade britânica de segurança marítima conhecida como UKMTO, confirmou que várias embarcações mercantes sofreram fogo incapacitante durante atividade militar no norte do Golfo e no Golfo de Omã. O órgão não confirmou vítimas nem impacto ambiental.
A UKMTO registrou separadamente uma embarcação adernando enquanto estava fundeada a 24 milhas náuticas do porto de Rashid, nos Emirados Árabes Unidos. O quadro poderia indicar entrada de água depois do impacto de um projétil de origem ainda desconhecida. Não havia confirmação pública de identidade, carga ou condição final do navio.
A sequência representa a maior onda declarada de ataques recíprocos à navegação desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã. O fato material confirmado é que cinco petroleiros foram atingidos pelos norte-americanos e que a UKMTO recebeu relatos corroborados de fogo incapacitante em navios mercantes; as reivindicações sobre todos os dez alvos iranianos permanecem sob verificação.
O Brent chegou a US$ 100,19 e ultrapassou a barreira de US$ 100 pela primeira vez desde 24 de julho. Às 8h02 no horário de Greenwich, o contrato operava a US$ 99,93, alta de 2,05%. A cotação acumulava avanço de aproximadamente 25% desde o início de agosto, movimento associado à redução dos fluxos e ao aumento do risco sobre navios e instalações.
Estimativa da consultoria Rystad Energy citada pela Reuters indica que entre 8 milhões e 9 milhões de barris por dia atravessavam Hormuz na semana anterior à retomada dos confrontos, mas o volume teria caído para menos de 2 milhões de barris por dia. Trata-se de estimativa de mercado, não de balanço oficial consolidado. Dados preliminares também apontavam apenas seis travessias com transponders ligados nas 24 horas anteriores.
O risco operacional vai além da perda dos navios atingidos. Menor circulação pode reduzir transferências entre embarcações no Golfo de Omã, restringir o acesso a ancoradouros, elevar prêmios de seguro e tornar armadores mais seletivos. Uma eventual poluição dependerá da quantidade de óleo a bordo, do local dos impactos e da capacidade de resposta, dados que ainda não foram divulgados.
Para o Brasil, o choque possui efeitos opostos. Produtores e exportadores podem obter maior receita por barril, enquanto refinarias, importadores, distribuidores, transportadores e consumidores ficam expostos a custos maiores. O resultado depende também do câmbio, das margens de refino, dos contratos de suprimento e da política comercial das empresas.
Gasolina, diesel e querosene de aviação não acompanham automaticamente o Brent na mesma intensidade ou no mesmo dia. Tributos, mistura de biocombustíveis, estoques, logística e concorrência influenciam o preço final. Uma alta prolongada, porém, tende a alcançar fretes, passagens, alimentos e bens industriais, com possível efeito sobre inflação, juros e medidas de compensação.
Os próximos marcos são a identificação independente dos navios atingidos pelo Irã, os informes da UKMTO, a avaliação de vítimas e poluição, as operações de salvamento, o fluxo efetivo pelos dois estreitos e a revisão do cenário da EIA em 6 de outubro. Sem esses dados, não é possível transformar todas as reivindicações militares em perdas confirmadas nem calcular quanto petróleo adicional foi retirado do mercado depois do fechamento das projeções.
