Hidrovia Verde abre fase preliminar de modelagem para futura concessão

Projeto cobre 1.602 quilômetros entre Manaus e a Barra Norte e terá novas reuniões sobre mercado, engenharia, operação e aspectos socioambientais.
A Agência Nacional de Transportes Aquaviários iniciou a etapa preliminar de participação destinada a orientar os estudos da futura concessão da Hidrovia Verde. O primeiro encontro ocorreu em 14 de agosto, em Brasília, com apresentação do diagnóstico inicial e da metodologia que será utilizada na modelagem.
O corredor possui 1.602 quilômetros entre Manaus e a Barra Norte, na foz do Rio Amazonas. Integrada ao Arco Norte, a rota tem papel relevante no transporte de cargas e no acesso de embarcações aos terminais amazônicos, especialmente em razão das condições de navegação e das limitações de calado na Barra Norte.
A discussão ainda não envolve edital concluído, contrato pronto ou concessionária escolhida. A agência procura reunir informações de usuários, órgãos públicos, associações e outros participantes antes da consolidação dos estudos técnicos, econômicos, operacionais e socioambientais.
O ciclo terá cinco reuniões. Em 19 de outubro, duas sessões em Macapá deverão tratar, respectivamente, do estudo de mercado e da modelagem econômico-financeira e dos aspectos de engenharia e operação. Em 20 de outubro, o debate será dedicado às dimensões ambiental e socioambiental. A consolidação das contribuições está prevista para 12 de novembro, em Brasília.
Entre os pontos que deverão ganhar densidade estão o nível de serviço a ser exigido, a manutenção das condições de navegabilidade, a distribuição de riscos hidrológicos, a estrutura de remuneração, os investimentos necessários e a compatibilização da concessão com comunidades, usuários e políticas ambientais da região.
Segundo o cronograma apresentado pela ANTAQ, uma consulta pública poderá ser aberta em 2027 caso as etapas preparatórias avancem como planejado. Essa previsão é indicativa e depende da evolução dos estudos e das decisões institucionais subsequentes.
A modelagem interessa ao ambiente de negócios porque deverá transformar necessidades de navegação em obrigações contratuais mensuráveis. A qualidade dessa tradução — especialmente na Barra Norte — será decisiva para equilibrar previsibilidade operacional, custo logístico, proteção socioambiental e viabilidade econômica da futura concessão.
