Exxon assume Papua LNG antes de decisão sobre projeto de US$ 14 bilhões

TotalEnergies reduzirá a participação a 20%, Santos comprará 3,3% por US$ 189 milhões e decisão final de investimento permanece prevista para o quarto trimestre.
A ExxonMobil assumirá a operação do projeto Papua LNG, na Papua-Nova Guiné, enquanto a TotalEnergies reduzirá sua participação de 29,1% para 20%. A reorganização anunciada nesta segunda-feira (7) remove etapas comerciais e contratuais relevantes, mas não equivale à aprovação do investimento: a decisão final, conhecida pela sigla FID, continua prevista para o quarto trimestre de 2026.
A TotalEnergies transferirá 9,1 pontos percentuais de participação, em base posterior ao exercício da opção estatal, aos demais integrantes da sociedade na proporção de suas posições atuais. Depois da operação, a ExxonMobil passará de 28,7% para 34,1%, a Santos chegará a 21% e a japonesa ENEOS Xplora ficará com 2,4%. A parcela restante corresponde à participação de Papua-Nova Guiné por meio das estruturas estatais e de beneficiários locais.
A Santos informou separadamente que pagará US$ 189 milhões por 3,3 pontos percentuais adicionais. A aquisição deverá elevar em aproximadamente 19% sua produção de GNL atribuível ao projeto, para cerca de 1,2 milhão de toneladas por ano. O fechamento, entretanto, está condicionado à própria FID e às demais condições aplicáveis; por isso, não deve ser tratado como compra já consumada.
GNL é a sigla para gás natural liquefeito. O processo resfria o gás até que ele passe ao estado líquido, reduzindo fortemente seu volume e permitindo o transporte marítimo. O Papua LNG foi desenhado para produzir 5,6 milhões de toneladas por ano a partir dos campos Elk e Antelope, na província de Gulf, com acesso aos mercados asiáticos.
O novo arranjo concentra na ExxonMobil a operação do Papua LNG e do vizinho PNG LNG. A integração pode criar sinergias na execução, no uso das instalações de liquefação em Caution Bay, na logística e na posterior operação. Ela não elimina, contudo, a necessidade de aprovação pelos sócios, contratação de financiamento, conclusão dos contratos de engenharia e construção e atendimento às exigências regulatórias e socioambientais.
A TotalEnergies informou que as concorrências para os contratos de engenharia, suprimentos e construção foram concluídas e aguardam aprovação dos parceiros. Desde 2024, a revisão do desenho e uma nova rodada competitiva com fornecedores reduziram o custo estimado em quase US$ 4 bilhões, para aproximadamente US$ 14 bilhões. O governo da Papua-Nova Guiné havia indicado, em acordo revisado divulgado na semana passada, estimativa próxima, de US$ 14,5 bilhões.
A diferença entre as duas referências não altera o estágio decisório. Ambas são estimativas anteriores à FID, sujeitas a escopo, condições de mercado, câmbio, financiamento, contingências e negociação final dos contratos. Somente a aprovação formal dos sócios definirá o orçamento sancionado, as fontes de recursos e o cronograma de execução.
Na frente comercial, a TotalEnergies manterá o direito de retirar 1,5 milhão de toneladas anuais de GNL para seu portfólio. A companhia também anunciou uma estrutura conjunta com a estatal Kumul Petroleum para comercializar 2,4 milhões de toneladas por ano. Contratos de venda de longo prazo ajudam a demonstrar receita futura e podem sustentar o financiamento, mas não garantem por si sós a construção.
O acordo de gás entre o consórcio e o governo também foi revisado. Segundo o primeiro-ministro James Marape, as alterações buscam preservar benefícios nacionais e manter a competitividade econômica do empreendimento. O governo trabalha com a possibilidade de exercer participação de 22,5% no projeto, incluindo estruturas destinadas às províncias e aos proprietários tradicionais das terras.
A governança desses benefícios é uma parte material do risco do empreendimento. Gasodutos, instalações de processamento, área de liquefação e obras de apoio atravessam territórios e dependem de licenças, compensações e mecanismos de repartição de receitas. O avanço contratual não encerra consultas, obrigações ambientais nem a necessidade de definir com precisão os beneficiários.
Para a infraestrutura regional, uma FID positiva abriria um ciclo de obras em produção de gás, dutos, energia, módulos industriais, apoio portuário e transporte marítimo. O investimento também ampliaria a oferta de GNL próxima aos mercados asiáticos. Esses efeitos permanecem prospectivos: ainda não há autorização para tratá-los como capacidade construída, emprego realizado ou receita pública incorporada.
Os próximos marcos verificáveis são a aprovação da reorganização societária, o fechamento dos contratos de engenharia e construção, a estrutura de financiamento e a deliberação formal dos parceiros. Até então, o fato novo é a transferência planejada da operação à ExxonMobil, a redução da participação da TotalEnergies e a compra condicionada da Santos — passos relevantes em direção à FID, não a decisão de investir já tomada.
