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Exército dos EUA investirá até US$ 2,2 bilhões em microrreatores nucleares

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Corte técnico de microrreator nuclear modular com vaso do reator, sistema térmico e conexão elétrica
Imagem ilustrativa produzida com inteligência artificial.

Cinco empresas foram selecionadas para construir e operar unidades em cinco bases; primeiro reator deverá estar disponível até setembro de 2028.

O Exército dos Estados Unidos selecionou cinco empresas e cinco instalações militares para a primeira etapa do Programa Janus, destinado à implantação de microrreatores nucleares em bases no território norte-americano. Os acordos podem mobilizar até US$ 2,2 bilhões entre os anos fiscais de 2027 e 2031.

Foram escolhidas Antares Nuclear para Fort Bragg, na Carolina do Norte; BWXT Advanced Technologies para Fort Campbell, no Kentucky; General Atomics Electromagnetic Systems para Fort Hood, no Texas; Radiant Industries para Fort Benning, na Geórgia; e Westinghouse Government Services para Fort Drum, no Estado de Nova York.

Cada empresa deverá projetar, construir e operar sua própria unidade. Os pagamentos serão vinculados ao cumprimento de marcos do programa, e não constituem desembolso integral e imediato do valor anunciado.

O cronograma prevê que o primeiro microrreator esteja disponível até setembro de 2028. A meta representa a intenção do programa e permanece sujeita ao desenvolvimento tecnológico, à construção, aos testes, às autorizações aplicáveis e às condições específicas de cada instalação.

Microrreatores são unidades nucleares de pequena potência, concebidas para fabricação modular e implantação mais rápida do que usinas convencionais. No Programa Janus, a finalidade principal é fornecer geração firme no próprio local e reduzir a exposição de atividades militares críticas a falhas das redes externas.

A escolha das cinco bases ocorreu depois de uma avaliação iniciada com nove instalações candidatas. Foram considerados demanda energética, vulnerabilidade da infraestrutura, condições ambientais, viabilidade técnica e relevância das operações atendidas.

O modelo é comercialmente operado. Isso significa que as empresas selecionadas assumirão funções que vão além da entrega de equipamentos, incluindo operação e manutenção segundo os acordos firmados e o regime regulatório aplicável.

A geração nuclear oferece energia contínua e baixa emissão direta de carbono durante a operação, mas exige governança rigorosa de segurança, combustível, resíduos, proteção física e descomissionamento. A escala reduzida não elimina essas responsabilidades.

O investimento também funciona como política industrial. Ao financiar cinco fornecedores diferentes, o Exército procura acelerar projetos que poderão, no futuro, ser oferecidos a outros consumidores com necessidade de energia firme e resiliente, como instalações remotas, centros de dados e infraestrutura crítica.

A estratégia não deve ser confundida com a contratação de uma frota já pronta. Os projetos ainda precisarão demonstrar desempenho técnico e econômico, e a implantação em cada base dependerá do atendimento aos marcos e requisitos definidos pelo governo.

Para o debate internacional sobre infraestrutura, o programa combina comprador público, inovação tecnológica, contratos de longo prazo e segurança energética. Também testa se a modularidade poderá reduzir tempo e risco de construção, dois dos principais obstáculos econômicos da energia nuclear.

A experiência norte-americana será relevante para países que discutem reatores avançados, mas não oferece uma solução automaticamente replicável. O ambiente regulatório, a cadeia de combustível, a responsabilidade por resíduos e a estrutura de financiamento variam entre jurisdições e precisam ser definidos antes de qualquer comparação direta.