EDP coloca em operação 522 km de transmissão no Piauí

Maior projeto de transmissão da companhia no Brasil inclui duas linhas e subestação de 730 MVAr; ativo acrescenta R$ 154 milhões à receita anual permitida.
A EDP informou ter colocado em operação seu maior projeto de transmissão no Brasil, no Piauí. O empreendimento reúne 522 quilômetros de linhas, distribuídos em dois circuitos, e a nova subestação São João do Piauí 2. A entrada em serviço foi anunciada pela companhia na noite de quinta-feira, 10 de setembro.
A subestação possui capacidade de compensação reativa de 730 megavolt-ampères reativos, ou MVAr, e ocupa área aproximada de 21 hectares. Essa grandeza não equivale à quantidade de energia entregue em megawatts: mede recursos usados para controlar tensão e sustentar o funcionamento seguro da rede.
O conjunto acrescenta R$ 154 milhões à Receita Anual Permitida da concessionária. Conhecida pela sigla RAP, essa é a remuneração regulada devida pela disponibilidade das instalações de transmissão. Não corresponde a lucro nem a pagamento integral imediato e pode sofrer descontos quando os ativos ficam indisponíveis além dos limites contratuais.
A função econômica do projeto é ampliar a capacidade de transporte de eletricidade em uma região que concentra geração eólica e solar. O reforço pode reduzir restrições locais e tornar a rede mais robusta, mas não elimina automaticamente cortes de geração. O aproveitamento efetivo depende do despacho do Operador Nacional do Sistema Elétrico e dos demais elos da malha.
Projetos de transmissão são concedidos mediante leilão e remunerados pela disponibilidade, independentemente do volume de energia que atravessa cada linha. A Agência Nacional de Energia Elétrica fiscaliza o contrato e a qualidade do serviço; o operador coordena a integração das instalações ao Sistema Interligado Nacional.
A entrada em operação marca a passagem da fase de construção para a prestação do serviço regulado. Ela pressupõe testes, energização e integração operacional, mas não encerra as obrigações da concessionária. Manutenção, segurança, gestão de vegetação, servidões e indicadores de disponibilidade continuam durante todo o contrato.
A EDP afirma ter investido R$ 8,5 bilhões em transmissão no país desde que entrou no segmento, em 2017. A empresa prevê mais R$ 3,7 bilhões entre 2026 e 2028. Esses valores abrangem a carteira nacional da companhia e não devem ser atribuídos integralmente ao empreendimento do Piauí.
Para fornecedores e financiadores, o início da operação substitui o risco predominante de execução pelo risco de desempenho. A previsibilidade da RAP favorece estruturas de financiamento de longo prazo, desde que a instalação preserve disponibilidade e cumpra as obrigações regulatórias.
O ativo também reforça a infraestrutura necessária à expansão econômica do interior do Nordeste. Novas cargas industriais, minerais e digitais, porém, não obtêm conexão apenas porque a rede regional cresceu. Cada acesso exige estudos técnicos, capacidade no ponto pretendido e obras compatíveis com o cronograma do consumidor.
Os próximos indicadores verificáveis são a disponibilidade das linhas e da subestação, eventuais descontos de receita, o comportamento da tensão regional e a capacidade efetivamente utilizada para escoar nova geração. Esses dados mostrarão se a entrega física se converteu no ganho sistêmico esperado.
