Data centers fazem projetos de geração a gás quase dobrar nos Estados Unidos

Capacidade planejada para atender diretamente instalações digitais passou de 97 GW para 189 GW em seis meses, mas grande parte da carteira ainda está em estágio inicial.
A capacidade de projetos de geração a gás planejados para atender diretamente data centers nos Estados Unidos aumentou de 97 gigawatts no fim de 2025 para 189 gigawatts no primeiro semestre de 2026. O levantamento foi divulgado pela organização Global Energy Monitor e confirmado nesta terça-feira, 25 de agosto, por cobertura jornalística independente.
O avanço faz parte de uma expansão mais ampla. Considerados todos os projetos de geração a gás anunciados, em desenvolvimento ou em construção no país, a carteira aumentou 50% em seis meses, de 252 GW para 378 GW. Os empreendimentos associados diretamente aos data centers representam, portanto, aproximadamente metade desse total.
O Texas concentra 122 GW da capacidade norte-americana em desenvolvimento, dos quais 77 GW foram vinculados ao atendimento direto de instalações digitais. A escala combina a rápida expansão dos centros de processamento de dados com restrições de acesso às redes e com a busca dos empreendedores por suprimento de energia dedicado.
A capacidade efetivamente em construção nos Estados Unidos chegou a 52 GW, aumento de 76% no primeiro semestre. Desse volume, 16,9 GW estão relacionados diretamente a data centers. A China possui 24 GW de geração a gás em construção, menos da metade do volume norte-americano identificado pelo levantamento.
Se toda a carteira dos Estados Unidos fosse executada, o custo de capital estimado ultrapassaria US$ 647 bilhões. O montante é uma projeção para o conjunto dos projetos mapeados e não representa investimento já contratado ou desembolsado.
A dificuldade de obter turbinas em prazos compatíveis com a expansão digital está modificando o desenho dos projetos. A capacidade planejada com motores de geração aumentou de 31 GW para 67 GW em seis meses. Entre os empreendimentos diretamente ligados a data centers, esse tipo de equipamento alcançou 45 GW.
Motores e turbinas de ciclo simples podem ser instalados mais rapidamente, mas tendem a apresentar eficiência inferior e emissões maiores por unidade de eletricidade do que usinas de ciclo combinado. O movimento amplia o debate sobre custos ambientais, licenciamento e compatibilidade entre a expansão da inteligência artificial e os compromissos de redução de emissões.
A carteira precisa ser interpretada com cautela. Mais de três quartos dos projetos globais acompanhados ainda se encontram em etapas iniciais. Cerca de 45 GW tiveram o início planejado adiado no primeiro semestre, e parte relevante dos empreendimentos não informa fabricante dos equipamentos ou ano de entrada em operação.
Escassez de turbinas, financiamento, oposição local e eventuais restrições à implantação de novos data centers podem reduzir substancialmente a capacidade que chegará à fase comercial. A quase duplicação dos projetos revela uma direção de investimento, mas não permite concluir que os 189 GW serão integralmente construídos.
O caso norte-americano oferece referência para o debate brasileiro sobre infraestrutura digital. Pedidos de conexão, expansão da transmissão, geração dedicada e repartição dos custos entre empreendedores e consumidores tendem a se tornar temas centrais à medida que o Brasil busca atrair instalações de grande porte.
