CSN troca comando executivo em meio à redução de dívida e possível venda de ativos

Fabio Schvartsman assume a presidência executiva após 24 anos de Benjamin Steinbruch, que permanece no grupo como presidente do conselho de administração.
Fabio Schvartsman assumiu nesta quinta-feira (3) a presidência executiva da Companhia Siderúrgica Nacional, a CSN. Benjamin Steinbruch deixou o cargo que ocupava desde 2002 e passou a presidir o conselho de administração da companhia.
A mudança foi aprovada pelo conselho e comunicada ao mercado em fato relevante. Ela separa a condução executiva cotidiana da presidência do colegiado, mas não representa o afastamento de Steinbruch do grupo. Integrante da família controladora, ele continuará participando das decisões estratégicas e da supervisão da administração.
A distinção entre os cargos é relevante. O diretor-presidente coordena a operação e executa a estratégia empresarial. O conselho de administração define diretrizes, fiscaliza a diretoria, delibera sobre matérias reservadas e representa os interesses da companhia e de todos os acionistas nos limites da lei e do estatuto.
A transição ocorre enquanto a CSN procura reduzir seu endividamento e melhorar a estrutura de capital. A empresa vem avaliando alternativas de desinvestimento, entre elas uma possível alienação da operação de cimento. Até que exista contrato vinculante e comunicação formal, valores e interessados divulgados pela imprensa devem ser tratados como negociações ou cenários, e não como venda concluída.
A situação financeira do conglomerado amplia a importância da sucessão. No segundo trimestre de 2026, a dívida líquida informada pelo grupo estava próxima de R$ 42 bilhões e a alavancagem girava em torno de 3,5 vezes o Ebitda ajustado. Ebitda é uma medida do resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização; a razão com a dívida ajuda a dimensionar a capacidade de pagamento, mas não substitui a análise do fluxo de caixa.
A CSN não é apenas uma produtora de aço. O grupo reúne mineração, cimento, geração de energia, logística ferroviária e operação portuária. Entre os ativos estão participações na MRS Logística e a operação do terminal de contêineres e do terminal de granéis sólidos em Itaguaí, no Rio de Janeiro. Decisões financeiras do conglomerado podem, portanto, alcançar cadeias relevantes de infraestrutura e exportação.
Schvartsman já comandou Klabin e Vale e integra o conselho de administração da Vibra Energia. Sua passagem pela Vale terminou em 2019, após o rompimento da barragem de Brumadinho. A referência integra o histórico profissional do executivo, mas a nomeação na CSN não constitui pronunciamento sobre responsabilidades discutidas em processos relacionados ao desastre.
A agenda da nova administração deverá combinar redução de dívida, disciplina de investimentos e preservação da capacidade operacional. Uma venda de ativos pode gerar caixa e reduzir alavancagem, mas também altera a composição de receitas e a exposição do grupo a setores distintos. A avaliação econômica depende do preço, da dívida transferida, dos tributos e da destinação efetiva dos recursos.
A passagem de Steinbruch para a presidência do conselho também exigirá clareza na divisão de competências. Em companhias com controlador definido, a governança precisa assegurar autonomia executiva suficiente, procedimentos para conflitos de interesses e informação tempestiva ao mercado sobre decisões relevantes.
Para investidores e credores, os próximos indicadores serão a evolução da dívida, a geração de caixa, os investimentos e eventuais fatos relevantes sobre desinvestimentos. A troca de comando é um marco de governança, mas não produz, por si só, redução automática do endividamento nem conclusão das operações em negociação.
