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Coreia projeta até 30 GW adicionais para IA e revê expansão elétrica

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Ilustração editorial de centro de dados conectado a subestação, linhas de transmissão, geração nuclear e eólica em paisagem costeira sul-coreana
Ilustração editorial produzida por inteligência artificial para o LAWINFRA; não representa centro de dados, rede, usina nuclear ou parque eólico específicos da Coreia do Sul. Crédito: LAWINFRA/IA.

Estimativa ministerial atribui de 25 a 30 GW de demanda adicional a chips e data centers; revisão do plano até 2040 avaliará novas usinas, mas ainda não definiu quantos reatores seriam necessários.

A expansão da fabricação de semicondutores e dos centros de dados de inteligência artificial poderá acrescentar entre 25 e 30 gigawatts à demanda elétrica da Coreia do Sul nos próximos anos. A estimativa foi apresentada pelo ministro do Clima, Energia e Meio Ambiente, Kim Sung-whan, em entrevista à Reuters publicada nesta terça-feira (8) e deverá alimentar a revisão do planejamento nacional de longo prazo.

Trata-se de uma projeção oficial de carga, não de capacidade já contratada nem de autorização automática para novas usinas. O governo pretende apresentar em outubro uma atualização do roteiro elétrico, estendendo o horizonte de planejamento até 2040. Só então será possível conhecer a combinação proposta de geração, redes, armazenamento e resposta da demanda para atender ao crescimento esperado.

Os 25 a 30 GW correspondem apenas à parcela associada à inteligência artificial, segundo o ministro. A eletrificação dos transportes e a substituição do aquecimento a gás por sistemas elétricos adicionariam pressão. O dado dimensiona o desafio, mas não informa, isoladamente, o consumo anual: gigawatt mede potência, enquanto a energia efetivamente utilizada depende do número de horas e do perfil de operação dos equipamentos.

A demanda tem dois vetores concentrados. Samsung Electronics e SK Hynix planejam ampliar fábricas de chips, inclusive dentro de um megaprojeto industrial estimado pelo governo em 800 trilhões de won, cerca de US$ 590 bilhões. Ao mesmo tempo, empresas de tecnologia avaliam novos centros de dados. Cargas desse tipo exigem fornecimento contínuo, elevada qualidade de energia e conexão em alta capacidade.

O intervalo também ajuda a visualizar a escala física. Se toda a necessidade adicional fosse suprida exclusivamente por geração nuclear, ela equivaleria à potência de aproximadamente 20 reatores do padrão sul-coreano atual. Essa equivalência feita pelo ministro não constitui plano de construir 20 unidades: é uma referência de ordem de grandeza e não considera fator de capacidade, diversidade horária, eficiência, redes ou outras fontes.

A Coreia do Sul opera 26 reatores, responsáveis por pouco menos de um terço do suprimento elétrico. O plano vigente já prevê dois novos reatores de grande porte, com conclusão indicada para 2037 e 2038, e um pequeno reator modular de 0,7 GW até 2035. A revisão até 2040 examinará se essa expansão é suficiente, mas Kim não antecipou número adicional de unidades e disse que a matéria segue em avaliação técnica.

O planejamento precisa conciliar segurança de suprimento e descarbonização. Na composição informada pelo governo à Reuters, o carvão responde por 29% do atendimento, o gás por 27% e as fontes renováveis por 11%. O país pretende retirar o carvão da operação regular até 2040, embora discuta manter parte das unidades como reserva de emergência. Preservar ativos para contingência, contudo, exige regras de remuneração, combustível, emissões e disponibilidade.

A localização é tão importante quanto o volume. Novas fábricas e centros de dados podem ser construídos em poucos anos, enquanto grandes linhas de transmissão, subestações e usinas costumam enfrentar licenciamento, aquisição de equipamentos e oposição local por períodos mais longos. Antecipar a rede sem demanda firme cria risco de ativos ociosos; esperar os projetos se materializarem cria risco de atraso e racionamento da conexão.

O ministro afirmou que o polo de chips planejado para o sudoeste pode usar os seis reatores já existentes na região, além de energia solar e eólica. O problema desloca-se parcialmente para grandes centros consumidores, como Seul, que dependem de energia transmitida de outras áreas. A resposta poderá envolver geração local renovável, usinas a gás e reforços de rede, alternativas com custos, prazos e emissões distintos.

A aceitação social será um condicionante jurídico e econômico. Pesquisa da agência estatal Korea Energy Information Culture Agency apontou apoio de 79% dos dois mil entrevistados à inclusão de novas nucleares no roteiro, mas moradores de Ulsan reuniram mais de dez mil assinaturas contra unidades adicionais. Apoio nacional agregado não elimina a necessidade de licenciamento, escolha de local, consulta às comunidades e solução para rejeitos e descomissionamento.

Para investidores em infraestrutura digital, a notícia não é apenas aumento potencial da oferta. A atratividade de um centro de dados depende de prazo e custo da conexão, tarifa, confiabilidade, disponibilidade hídrica para resfriamento, emissões associadas e possibilidade de contratar energia de baixo carbono. A manifestação de interesse atribuída a empresas estrangeiras ainda precisa ser separada de projetos aprovados, terrenos contratados e decisões finais de investimento.

A estimativa sul-coreana oferece referência útil ao Brasil, onde o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center, o REDATA, ampliou o debate sobre energia e conexão. Incentivos à instalação de equipamentos não substituem planejamento coordenado de geração e transmissão. Quando a carga cresce em blocos de centenas de megawatts, a localização e o cronograma dos empreendimentos alteram investimentos sistêmicos e a alocação de custos entre usuários.

Os próximos marcos verificáveis são a publicação do plano de outubro, a projeção oficial por região e por ano, a lista de usinas e linhas propostas, o tratamento das unidades a carvão e as decisões efetivas de Samsung, SK Hynix e operadores de data centers. Até lá, o fato confirmado é a estimativa ministerial de 25 a 30 GW e a revisão em curso — não a aprovação de uma nova frota nuclear.