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Eletrificação do transporte ajuda a reduzir emissões da China apesar do avanço do carvão

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Veículos elétricos, rede de energia renovável e termelétrica associados à transição energética chinesa
Ilustração editorial produzida por inteligência artificial; não retrata cidade, usina, empresa ou instalação real específica na China.

Estimativa aponta queda de 1% no segundo trimestre; pela primeira vez, a retração geral foi conduzida pelo menor consumo de petróleo, enquanto o carvão usado na geração elétrica cresceu.

As emissões de dióxido de carbono da China caíram aproximadamente 1% no segundo trimestre de 2026, na comparação anual. Pela primeira vez na série analisada, a redução geral foi provocada principalmente pela queda do consumo de petróleo, e não pela diminuição do uso de carvão.

O resultado foi calculado por Lauri Myllyvirta, analista-chefe do Centre for Research on Energy and Clean Air, o CREA, e publicado pelo Carbon Brief. A estimativa combina dados do Escritório Nacional de Estatísticas da China, informações aduaneiras, estoques, produção industrial e fatores de emissão.

Não se trata, portanto, de um inventário oficial definitivo de emissões. É uma análise independente baseada em estatísticas oficiais e em metodologia divulgada. Revisões dos dados de atividade, estoques ou fatores de conversão podem alterar os resultados.

O consumo chinês de petróleo caiu cerca de 9% no trimestre e 3% no primeiro semestre. O processamento de petróleo bruto recuou 11%, enquanto as importações diminuíram 32%. Parte da diferença foi absorvida pelo uso de estoques, razão pela qual queda das importações e redução do consumo não são números equivalentes.

Gasolina, diesel e querosene de aviação responderam pela maior parte da redução das emissões relacionadas ao petróleo. O movimento combina preços e riscos de abastecimento associados à crise do Estreito de Hormuz com uma mudança estrutural promovida pela eletrificação do transporte.

Veículos elétricos retiram demanda de combustíveis líquidos quando substituem automóveis, ônibus e caminhões movidos a derivados de petróleo. O benefício climático efetivo depende, contudo, da fonte utilizada para produzir a eletricidade, da eficiência dos veículos e das emissões incorporadas na fabricação das baterias e da infraestrutura.

A queda total ocorreu mesmo com aumento de 2,4% no uso de carvão pelo setor elétrico. A geração a gás recuou 1,2%, e a expansão eólica e solar não impediu a recuperação da produção termelétrica a carvão. Isso mostra que a descarbonização do transporte e a do sistema elétrico avançam em velocidades diferentes.

Hidrelétricas e usinas nucleares aumentaram sua produção, enquanto a China continuou adicionando capacidade eólica e solar. A análise estima que as novas fontes de baixo carbono instaladas em 2026 poderão gerar eletricidade suficiente para acompanhar o crescimento da demanda anual, embora o resultado dependa do uso efetivo da capacidade e da integração à rede.

A construção civil também contribuiu para a redução. A produção de cimento caiu com a retração do setor imobiliário e de obras, enquanto a fabricação de aço bruto e ferro-gusa diminuiu. Esses fatores são conjunturais e não devem ser confundidos com ganhos permanentes de eficiência.

No primeiro trimestre, as emissões haviam crescido 2%. Com a queda posterior, o primeiro semestre terminou com variação positiva pequena, e o total permanece abaixo do pico observado em 2023 e 2024. Ainda não é possível concluir apenas com esses dois trimestres que começou uma trajetória contínua de queda.

A mudança interessa ao planejamento mundial de energia porque a China é simultaneamente grande consumidora de petróleo, principal mercado de veículos elétricos e maior emissora de dióxido de carbono. Uma redução estrutural no uso de combustíveis rodoviários pode alterar fluxos de comércio, refino, segurança energética e investimentos em redes elétricas.

O caso também evidencia um deslocamento de infraestrutura. Menor dependência de postos e combustíveis exige mais redes de distribuição, carregadores, armazenamento e coordenação da demanda. A eletrificação reduz uma pressão energética e transfere parte dela para o sistema elétrico.

A conclusão tecnicamente segura é que o petróleo conduziu a queda estimada das emissões chinesas no segundo trimestre, em um ambiente de choque externo e transformação tecnológica. Confirmar uma inflexão estrutural exigirá acompanhar a retomada econômica, o consumo após a crise de abastecimento e a capacidade das fontes limpas de limitar o uso do carvão.