Cantareira perde volume e seguirá em faixa de alerta durante setembro

Volume útil caiu de 36,67% para 32,99% em agosto; regra limita a retirada pela Sabesp e mantém a possibilidade de transferência de água do Paraíba do Sul.
O Sistema Cantareira terminará setembro sob a Faixa 3 — Alerta. A classificação foi confirmada nesta segunda-feira (31) pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, depois de o conjunto de reservatórios encerrar agosto com 32,99% do volume útil.
No último dia útil de julho, o armazenamento era de 36,67%. A redução de 3,68 pontos percentuais durante agosto mantém o sistema no intervalo entre 30% e 40%, que corresponde à faixa de alerta prevista nas regras operacionais.
A classificação não significa desabastecimento imediato nem reservatórios vazios. Ela aciona limites mais cautelosos para a retirada de água e indica que a margem disponível está menor. O objetivo da regra é compatibilizar o atendimento presente com a preservação de volume para os meses seguintes.
Durante setembro, a Sabesp poderá retirar do Cantareira até 27 metros cúbicos por segundo. Em condições de normalidade, o limite pode alcançar 33 m³/s. A diferença representa uma restrição operacional destinada a reduzir a velocidade de consumo do armazenamento.
A companhia poderá complementar o abastecimento com água transferida do reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul. A transferência deverá respeitar a média diária máxima de 8,5 m³/s e, somada à retirada do Cantareira, não poderá superar 33 m³/s.
Esses limites são tetos, e não ordens para captar todo o volume autorizado. A quantidade efetivamente retirada depende da demanda, das condições dos reservatórios, das afluências, das chuvas e da operação coordenada entre os órgãos gestores e a companhia de saneamento.
O Cantareira reúne reservatórios interligados e atende aproximadamente metade da Região Metropolitana de São Paulo, além de se relacionar com as necessidades das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Sua operação precisa conciliar abastecimento urbano, vazões a jusante e segurança hídrica de diferentes regiões.
A regra vigente decorre da Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017. O sistema é enquadrado mensalmente conforme o volume útil observado no último dia do mês anterior. Por isso, a permanência em alerta durante setembro resulta de um critério regulatório objetivo, e não de uma avaliação discricionária isolada.
A evolução ao longo do próximo mês dependerá principalmente das chuvas e das vazões que chegam aos reservatórios. A redução observada em agosto reforça a necessidade de acompanhar diariamente o armazenamento, mas não permite, sozinha, antecipar racionamento ou colapso do sistema.
O próximo marco regulatório ocorrerá no último dia útil de setembro, quando o volume armazenado definirá a faixa operacional de outubro. Até lá, a leitura tecnicamente correta é de atenção reforçada e menor limite de retirada, sem anúncio oficial de restrição direta ao consumo dos usuários.
