Búzios bate recorde de escoamento de gás com média de 10,8 milhões de m³ por dia

Marca alcançada em julho resulta da modernização das unidades existentes e da ampliação da infraestrutura de escoamento; pico diário chegou a 14,1 milhões de m³.
O campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, alcançou em julho de 2026 uma média de 10,8 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural entregue pelas plataformas ao sistema de escoamento. Foi a primeira vez que o ativo superou a marca mensal de 10 milhões de metros cúbicos por dia.
O recorde anterior havia sido registrado em março, com média de 9,1 milhões de metros cúbicos por dia. Búzios também atingiu uma nova máxima diária em 6 de agosto, quando foram escoados 14,1 milhões de metros cúbicos, acima dos 13,9 milhões observados em julho.
A expressão exportação de gás, empregada tecnicamente pela Petrobras, não significa neste caso uma venda internacional. Ela descreve a retirada do gás produzido e tratado nas unidades marítimas e seu envio para a infraestrutura em terra, de onde o combustível é disponibilizado ao mercado brasileiro.
A distinção é importante porque o resultado mede a capacidade de processamento e de escoamento do campo, e não o volume de contratos externos. O gás de Búzios é produzido de forma associada ao petróleo e precisa ser separado, tratado e comprimido antes de seguir pelos dutos submarinos.
Segundo a Petrobras, o avanço não decorreu da entrada de um novo sistema de produção. O principal fator foi a otimização das unidades já em operação, especialmente a modernização das plantas de tratamento de gás das plataformas P-74, P-75, P-76 e P-77.
O programa, iniciado em 2025 e em fase final de implantação, substitui membranas utilizadas para remover dióxido de carbono do fluxo de gás. A intervenção elevou a capacidade de escoamento dessas quatro plataformas de aproximadamente 1,5 milhão para 3 milhões de metros cúbicos por dia em cada unidade. O FPSO Almirante Barroso também contribuiu para o resultado.
A entrada em operação da Rota 3 ampliou a infraestrutura disponível para levar o gás do pré-sal até a costa. Em julho de 2024, antes dessa trajetória de expansão, a média diária de Búzios era de 4,7 milhões de metros cúbicos. A comparação mostra que o desempenho atual resulta da combinação entre capacidade marítima, tratamento e disponibilidade dos sistemas de transporte.
O recorde não assegura, isoladamente, redução imediata do preço do gás. A formação dos valores envolve oferta efetivamente comercializada, contratos, processamento, transporte, tributação e condições de competição. O aumento do volume entregue, entretanto, é uma condição relevante para ampliar a disponibilidade física do combustível.
A expansão deverá continuar com os sistemas previstos para as plataformas P-78 e P-79 até 2027. Ao final do desenvolvimento do campo, oito das 12 unidades planejadas deverão possuir capacidade de escoamento de gás. A unidade Búzios 12, prevista para 2032, tem capacidade estimada de 5,5 milhões de metros cúbicos por dia.
Os novos volumes exigirão coordenação entre produção, processamento, dutos, unidades em terra e demanda contratada. Restrições em qualquer uma dessas etapas podem limitar a quantidade efetivamente disponibilizada ao mercado, mesmo quando a produção potencial do campo é maior.
Para a política energética, o resultado reforça o papel de Búzios não apenas como produtor de petróleo, mas como ativo relevante para a oferta doméstica de gás. A continuidade do crescimento dependerá da confiabilidade operacional das plataformas, da capacidade dos sistemas de escoamento e de regras que ofereçam previsibilidade aos investimentos de toda a cadeia.
