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BNDES aprova R$ 77,5 milhões para centro de terras raras da Viridis

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Centro de pesquisa e planta-piloto para processamento de terras raras em Poços de Caldas
O crédito apoia pesquisa e produção piloto; a futura planta industrial do Projeto Colossus ainda depende de financiamento, implantação e licenciamento. Ilustração editorial: LAWINFRA/IA.

Crédito de 16 anos apoia pesquisa, rotas metalúrgicas e produção piloto em Poços de Caldas; fábrica comercial ainda precisa completar sua estrutura financeira.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, aprovou R$ 77,5 milhões em financiamento para a Viridis Mineração apoiar o Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras, o CPTR, em Poços de Caldas, Minas Gerais.

A operação utiliza a linha BNDES Mais Inovação, possui prazo total de 16 anos e custo indicativo próximo de 4,8% ao ano. Os recursos poderão sustentar atividades de pesquisa, testes metalúrgicos, aperfeiçoamento das rotas de processamento de argilas iônicas e produção de carbonato misto de terras raras em escala piloto.

O CPTR foi inaugurado pela companhia em maio de 2026. A distinção entre o centro e a futura planta industrial é essencial: a unidade de pesquisa serve para demonstrar continuamente o processo, produzir amostras, reduzir incertezas técnicas e fornecer dados para o desenho da operação comercial.

A Viridis é a subsidiária brasileira da australiana Viridis Mining and Minerals e controla os direitos do Projeto Colossus, na região de Poços de Caldas. Os depósitos de argilas iônicas podem conter elementos utilizados em ímãs permanentes de alto desempenho, incluindo neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.

Esses ímãs são empregados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, automação industrial e aplicações de defesa. O valor econômico da cadeia não está apenas na extração: separação, purificação, produção de metais e fabricação de ímãs concentram tecnologia e margens superiores.

A aprovação do crédito reduz uma parcela do risco tecnológico e financeiro, mas não equivale à decisão final de investimento na mina e na planta comercial. A Viridis informa já ter levantado cerca de US$ 154 milhões em capital próprio e ainda procura completar o financiamento sênior necessário ao desenvolvimento do Colossus.

A companhia projeta iniciar a implantação industrial em 2027 e alcançar operação até o fim de 2028. Esses prazos continuam condicionados à engenharia, ao licenciamento, à contratação, à execução física, aos acordos de compra da produção e ao fechamento da estrutura de capital.

O apoio público deriva da chamada conjunta do BNDES e da Financiadora de Estudos e Projetos, a Finep, voltada a minerais estratégicos para a transição energética. A política busca transformar conhecimento geológico em capacidade industrial no país, reduzindo a exportação de material com baixo valor agregado.

Para o banco, o ganho potencial inclui substituição de importações, geração de empregos qualificados, formação de fornecedores e criação de um ecossistema de inovação. Esses efeitos não são automáticos: dependerão de escala competitiva, regularidade da matéria-prima, desempenho metalúrgico e inserção da produção em contratos de longo prazo.

O caso também mostra a diferença entre financiamento de inovação e financiamento integral de projeto. O empréstimo de R$ 77,5 milhões apoia a etapa de demonstração e desenvolvimento tecnológico; a mina e a fábrica comercial demandam montante muito superior, além de garantias, capital próprio e dívida de longo prazo.

Os próximos marcos serão a formalização completa da operação, a aplicação dos recursos em despesas elegíveis, a divulgação dos resultados da planta-piloto e o fechamento do pacote financeiro do Colossus. Até lá, a aprovação deve ser tratada como avanço concreto de desenvolvimento, não como início da produção industrial.