Axia recebe autorização para assumir controle exclusivo da Transnorte

Anuência regulatória alcança a concessionária responsável pela linha Manaus–Boa Vista; operação deverá ser implementada em até 120 dias.
A Agência Nacional de Energia Elétrica deu anuência prévia para que o controle societário direto da Transnorte Energia passe a ser exercido exclusivamente pela Axia Energia Norte. A autorização foi formalizada pelo Despacho nº 3.032, da Superintendência de Fiscalização Econômica, Financeira e de Mercado.
A aprovação regulatória não significa que a mudança de controle já esteja concluída. A operação deverá ser implementada em até 120 dias, contados na forma estabelecida pelo despacho. Depois da formalização, a Transnorte terá até 30 dias para encaminhar à ANEEL os documentos que comprovem a alteração societária.
A Transnorte informa atualmente que possui como acionistas a Axia Energia, antiga Eletrobras, e a Alupar Investimento. A anuência abre caminho para que a Axia passe a exercer o controle direto de maneira exclusiva, mas a agência não divulgou na nota pública o valor da operação nem as condições econômicas negociadas entre os envolvidos.
A relevância do negócio ultrapassa a reorganização societária. A Transnorte é responsável pela implantação, operação e manutenção da linha de transmissão Manaus–Boa Vista, empreendimento de 724 quilômetros e 500 quilovolts que conectou Roraima ao Sistema Interligado Nacional.
A linha entrou em operação comercial em 16 de setembro de 2025, depois de um processo de implantação prolongado por questões ambientais, territoriais e regulatórias. O empreendimento atravessa os estados do Amazonas e de Roraima e inclui as subestações Engenheiro Lechuga, Equador e Boa Vista.
Antes da interligação, Roraima dependia de forma significativa de usinas termelétricas e da logística de combustíveis para o suprimento elétrico. A conexão ao sistema nacional ampliou a segurança operacional e criou condições para reduzir o custo da geração local e o consumo de combustíveis fósseis, embora a confiabilidade regional continue dependendo da adequada operação e manutenção dos ativos.
Por envolver concessionária de serviço público, a transferência de controle depende da avaliação prévia do regulador. A análise busca verificar se a nova estrutura preserva capacidade econômica, financeira, técnica e administrativa compatível com as obrigações da concessão e com a continuidade do serviço.
A anuência, portanto, autoriza o prosseguimento da operação societária, mas não substitui sua formalização. O cumprimento dos prazos e a entrega dos documentos permitirão à ANEEL verificar se a estrutura efetivamente implementada corresponde àquela examinada no processo regulatório.
Para o setor de transmissão, a decisão reforça o movimento de consolidação de ativos sob grandes grupos e evidencia a importância da supervisão regulatória sobre mudanças de controle. No caso da Transnorte, essa governança incide sobre uma infraestrutura especialmente sensível para a integração energética da Região Norte.
