Austrália abre primeiro leilão de energia eólica no mar para contratar 2 GW

Projetos da costa de Gippsland poderão apresentar propostas até agosto de 2027; contratos são esperados em 2028, sem garantia de início imediato das obras.
O governo do estado de Victoria abriu nesta quarta-feira, 26 de agosto, o primeiro leilão australiano destinado à contratação de energia eólica produzida no mar. A chamada receberá propostas para os primeiros 2 gigawatts de capacidade e marca a passagem dos projetos da costa de Gippsland para uma etapa de competição por apoio contratual.
A estimativa oficial é que essa capacidade possa produzir energia suficiente para abastecer aproximadamente 1,5 milhão de residências por ano. O cálculo expressa o potencial de geração do conjunto a ser contratado; não significa que as usinas já estejam construídas nem que a eletricidade esteja disponível para consumo.
Os proponentes terão até agosto de 2027 para apresentar suas ofertas. O governo pretende avaliar preço, capacidade de execução e benefícios para trabalhadores, empresas e comunidades locais. A previsão é selecionar os projetos e conceder os contratos em 2028.
A estrutura contratual deverá ser integrada ao Electricity Services Entry Mechanism, mecanismo nacional criado para dar previsibilidade a novos investimentos em geração. A definição de como esse suporte funcionará na prática ainda é uma das questões centrais do processo, especialmente diante do custo e do longo prazo de implantação dos parques no mar.
Victoria pretende usar a nova capacidade para complementar a geração solar, a energia eólica em terra e os sistemas de armazenamento à medida que usinas a carvão envelhecem e são retiradas de operação. Fontes renováveis responderam por 45% da eletricidade gerada no estado, segundo o governo local.
A escolha de Gippsland também aproveita a infraestrutura de transmissão da região de Latrobe Valley, construída originalmente para conectar grandes termelétricas a carvão. O uso das linhas existentes pode reduzir parte da necessidade de novos corredores terrestres, embora cada projeto ainda dependa de estudos ambientais, engenharia, conexão e licenciamento.
Estimativas setoriais apontam investimento de aproximadamente 20 bilhões de dólares australianos, equivalentes a US$ 14,4 bilhões, para viabilizar os primeiros 2 GW. O valor é uma projeção para a carteira e não corresponde a recursos já comprometidos pelo governo ou desembolsados pelos investidores.
O calendário permanece desafiador. A Austrália já havia adiado a abertura do leilão em razão da piora das condições globais de investimento no setor, e a ABC informa que os primeiros projetos podem não entregar energia antes de 2035. O governo de Victoria mantém metas de pelo menos 2 GW em 2032, 4 GW em 2035 e 9 GW em 2040.
A disputa será um teste para a capacidade do país de converter licenças de viabilidade e metas de transição em projetos financiáveis. Até a adjudicação dos contratos, o resultado econômico, o apoio público necessário e o cronograma efetivo de construção continuarão em aberto.
