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Auditoria britânica alerta: atraso na transmissão pode elevar custos da energia

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Subestação e linhas de transmissão no litoral britânico, com parque eólico offshore ao fundo
Ilustração editorial produzida com inteligência artificial; não retrata instalação ou projeto específico. Crédito: LAWINFRA/IA.

Relatório aponta risco de custos com restrições na rede chegarem a £7,8 bilhões em 2030; coordenação entre expansão renovável, obras e regulação é decisiva para proteger consumidores.

Atrasos na expansão da transmissão de eletricidade na Grã-Bretanha podem ampliar os custos suportados pelos consumidores. O alerta está em relatório publicado nesta sexta-feira, 11 de setembro, pelo National Audit Office (NAO), órgão independente de auditoria que apoia o Parlamento britânico na fiscalização do gasto público.

A análise examina a atuação do departamento de energia DESNZ, do regulador Ofgem e do operador NESO. Sua conclusão é que os benefícios da modernização dependem agora da entrega das obras, em um calendário pressionado por planejamento, suprimentos e acesso à rede.

Quando a rede não consegue transportar a energia disponível até os centros de consumo, o operador precisa ajustar a produção. Isso pode envolver reduzir a geração eólica em uma região e elevar a geração a gás em outra. Os pagamentos associados às restrições físicas da transmissão alcançaram £1,9 bilhão em 2025–2026, a preços de 2024.

O relatório apresenta estimativa de £6,6 bilhões a £7,8 bilhões em 2030 caso as obras não sejam aceleradas para acompanhar a nova geração prevista no plano Clean Power 2030. É um cenário condicionado à expansão considerada pelo operador, e não uma despesa já realizada ou uma previsão inevitável.

A Ofgem estima necessidade de até aproximadamente £70 bilhões para modernizar e manter a rede entre abril de 2025 e março de 2031, em valores de 2023–2024. O investimento aumenta encargos de rede, mas a comparação regulatória também considera os custos evitados com restrições e energia mais cara.

Nessa comparação, a Ofgem projeta economia líquida de cerca de £30 anuais para uma residência típica em 2030–2031, frente ao cenário sem aceleração. O número não promete desconto sobre a conta atual: compara trajetórias futuras diferentes.

O NAO pede maior transparência sobre custos e andamento dos projetos, supervisão mais forte e capacidade regulatória para avaliar despesas e incentivos. Também recomenda examinar o tratamento das usinas cuja conexão está prevista antes de a rede estar preparada para recebê-las.

A leitura para o Brasil é especialmente relevante no debate sobre curtailment. Construir geração renovável e assegurar seu escoamento são etapas interdependentes. Uma autorização, um contrato de venda ou um cronograma de usina não substituem a capacidade física de transportar a eletricidade.

Isso não permite transportar automaticamente o regime britânico de pagamentos para o sistema brasileiro. As regras de compensação, a alocação contratual dos riscos e o desenho dos encargos precisam ser examinados em cada jurisdição. A comparação útil está no problema de coordenação entre geração, transmissão e demanda.

Na avaliação editorial do LAWINFRA, a pauta reforça três critérios para acompanhar investimentos: a compatibilidade entre datas de entrada em operação, a identificação de quem suporta atrasos e restrições e a comparação entre o custo da obra e o custo de adiá-la. Esses critérios ajudam a avaliar tanto a eficiência do planejamento quanto a previsibilidade para investidores e consumidores.