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Atlas Lithium contrata 71% do investimento direto do Projeto Neves

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Implantação de planta de processamento de lítio associada ao Projeto Neves em Minas Gerais
A contratação abrange obras civis, montagem eletromecânica, britagem, infraestrutura elétrica, engenharia e logística; a execução física ainda precisa ser concluída. Ilustração editorial: LAWINFRA/IA.

Companhia afirma que contratos e acordos firmes cobrem 71% do CAPEX direto e ficaram 16% abaixo do orçamento correspondente; números ainda representam compromissos contratados, não obras concluídas.

A Atlas Lithium informou que contratos executados e acordos firmes já cobrem aproximadamente 71% dos investimentos diretos previstos para implantar o Projeto Neves, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Segundo a companhia, o custo agregado dessas contratações ficou 16% abaixo das parcelas correspondentes do orçamento estabelecido no estudo definitivo de viabilidade.

O avanço reduz a exposição do empreendimento a oscilações de preço em parte relevante dos fornecimentos, mas não equivale à conclusão de 71% das obras. O indicador mede o valor já contratado em relação ao CAPEX direto estimado; execução física, desembolsos, instalação, testes e entrada em operação seguem etapas próprias.

O escopo contratado inclui terraplenagem e construção civil, montagem eletromecânica da planta de separação em meio denso, sistema de britagem e peças de reposição, infraestrutura elétrica, engenharia detalhada, gestão e supervisão das obras, edifícios administrativos e operacionais e logística da planta de processamento no Brasil.

A companhia afirma que selecionou os fornecedores por processos competitivos que consideraram experiência técnica, desempenho, qualidade e custo. O comunicado não apresenta a divisão dos valores por contrato, os nomes de todos os executores, as garantias de desempenho ou o cronograma individual de cada pacote.

O estudo definitivo de viabilidade do Projeto Neves estimou CAPEX direto de US$ 57,6 milhões. Aplicar o percentual de 71% ao orçamento indica que a parcela coberta pelos contratos corresponde, em termos de referência, a cerca de US$ 40,9 milhões; esse cálculo não deve ser confundido com valor já pago nem com custo total do empreendimento.

A Atlas Lithium declara que o projeto está licenciado e que a planta modular de processamento já se encontra no Brasil, pronta para montagem. Esses marcos diminuem riscos de suprimento e autorização, mas a futura produção ainda depende da execução das obras, integração dos equipamentos, testes operacionais, financiamento e desempenho mineral e metalúrgico.

O Projeto Neves é integralmente controlado pela companhia e foi desenhado para produzir concentrado de espodumênio. Projeções divulgadas anteriormente apontam capacidade anual próxima de 146 mil toneladas e início comercial pretendido para 2027; ambos permanecem objetivos futuros sujeitos aos riscos de implantação descritos pela própria empresa.

O concentrado de espodumênio é matéria-prima da cadeia do lítio utilizada na produção de compostos destinados, entre outras aplicações, a baterias. A relevância econômica do projeto dependerá não apenas do volume extraído, mas também de teor, recuperação, regularidade operacional, custos logísticos, preços internacionais e contratos de venda.

A companhia relaciona o avanço do projeto a uma recuperação da demanda global por lítio, apoiada por veículos elétricos e armazenamento estacionário. Esse cenário é uma premissa de mercado e pode variar: estoques, expansão da oferta, tecnologia de baterias e preços dos minerais alteram a rentabilidade de projetos em desenvolvimento.

Para Minas Gerais, o marco contratual sinaliza passagem da fase de planejamento para a preparação concreta da implantação. Ainda assim, os efeitos sobre investimento, emprego e arrecadação deverão ser medidos conforme os contratos forem executados e a planta demonstrar capacidade de operar de forma contínua e ambientalmente regular.

Os próximos pontos de verificação são o início e o avanço das obras, a montagem da planta, a divulgação do cronograma consolidado, a estrutura de financiamento e o comissionamento. Até esses marcos, os percentuais de contratação devem ser apresentados como redução de risco de custo e suprimento, não como produção assegurada.