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ANTT conclui audiência da Rota Portuária do Sul e avança concessão de 465 quilômetros

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Rodovia federal com pórtico eletrônico ligando campos produtivos a um porto, em representação da Rota Portuária do Sul
Ilustração editorial produzida por inteligência artificial; não retrata trecho, pórtico, porto, veículo ou local real específico da Rota Portuária do Sul.

Relatório final incorpora mudanças na modelagem, reduz de 14 para 12 os pórticos de free flow e antecipa investimentos; Plano de Outorga seguirá ao Ministério dos Transportes antes do controle do TCU.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT, aprovou o relatório final da Audiência Pública nº 4/2026 da Rota Portuária do Sul e determinou o envio do Plano de Outorga ao Ministério dos Transportes. A Deliberação nº 264/2026, aprovada pela diretoria em 3 de setembro e publicada no Diário Oficial da União no dia 4, encerra a fase de participação social e permite que a modelagem da concessão das BRs 116 e 392, no Rio Grande do Sul, avance para as etapas de análise governamental e controle externo.

O ato formal delimita o sistema em 465,032 quilômetros. A página pública do projeto e materiais apresentados no início da audiência ainda informam 459,63 quilômetros. A diferença indica atualização da extensão considerada na versão pós-audiência; até a divulgação integral do relatório final e do Plano de Outorga, o parâmetro juridicamente mais recente é o que consta da Deliberação nº 264.

O corredor liga Camaquã à ponte sobre o rio Jaguarão, na fronteira com o Uruguai, pela BR-116, e o Porto Novo, em Rio Grande, ao acesso a Santana da Boa Vista, pela BR-392. A configuração combina mobilidade regional, escoamento da produção gaúcha e acesso terrestre ao Porto do Rio Grande, um dos principais nós logísticos do Sul do país.

A modelagem divulgada pela ANTT prevê contrato de 30 anos, aproximadamente R$ 6 bilhões em investimentos de capital, o Capex, e R$ 5,7 bilhões em despesas de operação e manutenção, o Opex. A Taxa Interna de Retorno, a TIR, de referência é de 12,49% ao ano. Esses valores ainda podem ser ajustados durante a consolidação do projeto e não equivalem a garantia de receita ou retorno para a futura concessionária.

O programa preliminar contempla mais de 83 quilômetros de duplicações, 38,58 quilômetros de vias marginais, seis correções de traçado, 34 passarelas, 132 acessos, 188 pontos de ônibus e 16 passagens de fauna. O detalhamento de trechos e prazos deverá constar do Programa de Exploração da Rodovia, o PER, e dos anexos que acompanharão o futuro edital.

As contribuições recebidas entre 9 de março e 22 de abril levaram a mudanças materiais. A quantidade prevista de pórticos de free flow foi reduzida de 14 para 12. Free flow é o sistema de pedágio eletrônico sem cancelas, no qual a passagem do veículo é identificada por tag ou leitura de placa. A localização dos pontos de cobrança e a relação entre tarifa e distância percorrida são temas sensíveis porque afetam usuários locais e transportadores de maneira diferente.

A ANTT também antecipou o maior volume de investimentos, antes concentrado entre o quarto e o sétimo ano, para o terceiro ano da concessão. A mudança reduz o intervalo entre o início da cobrança e a entrega das principais ampliações, mas eleva a necessidade de capital e financiamento nos primeiros ciclos do contrato.

Outra alteração foi a antecipação do acesso aos Molhes da Barra, no Porto do Rio Grande. A modelagem passou a prever um mecanismo de incentivo caso a concessionária conclua a intervenção antes do prazo. A lógica regulatória é aproximar o interesse econômico da operadora dos ganhos logísticos esperados por usuários e pelo porto, sem transformar a antecipação em remuneração dissociada de uma entrega verificável.

A nova concessão sucede o contrato operado pela EcoSul, encerrado em 3 de março de 2026. A transição exige separar obrigações remanescentes do contrato anterior, condições dos ativos entregues à União e investimentos que integrarão o novo PER. Essa fronteira contratual é decisiva para evitar que passivos antigos sejam transferidos de forma imprecisa à futura concessionária ou aos usuários.

A aprovação do relatório de audiência não significa que o edital esteja pronto nem que o leilão tenha data definitivamente assegurada. O Plano de Outorga será submetido ao Ministério dos Transportes e, após a consolidação governamental, o projeto deverá passar pelo controle prévio do Tribunal de Contas da União, o TCU. Só depois dos ajustes decorrentes dessas análises a ANTT poderá aprovar e publicar os documentos definitivos da licitação.

Para investidores, os pontos centrais de diligência serão a demanda de veículos pesados, a sazonalidade das safras, o cronograma de duplicações, o custo do free flow, desapropriações, licenciamento e a alocação de riscos associada à transição da concessão anterior. A antecipação das obras melhora a entrega ao usuário, mas torna mais exigentes a estrutura financeira e as garantias do projeto.

Para o Rio Grande do Sul, o avanço regulatório é relevante porque conecta uma concessão rodoviária de longo prazo à competitividade do Porto do Rio Grande e à fronteira brasileira com o Uruguai. O teste de qualidade, contudo, ainda está à frente: será necessário converter as contribuições da audiência em cláusulas claras, metas fiscalizáveis e uma tarifa compatível com a execução efetiva dos investimentos.

O próximo documento decisivo será o relatório final integral da audiência, seguido do Plano de Outorga consolidado. Esses arquivos permitirão verificar como foram tratados os 12 pórticos, o incentivo para o acesso aos Molhes da Barra, a nova extensão de 465,032 quilômetros e o cronograma de desembolsos antes de o projeto chegar ao TCU.