ANA discute metodologia nacional para revisão das tarifas de água e esgoto

ANA prorrogou até 2 de outubro, às 18h, o prazo da consulta sobre a norma de referência para revisão tarifária de água e esgoto.
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico receberá até 9 de setembro inscrições para apresentações na audiência pública sobre a metodologia de revisão tarifária dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
A discussão integra a Consulta Pública nº 3/2026. O prazo para contribuições, antes previsto para 17 de setembro, foi prorrogado até as 18h de 2 de outubro. O processo examina uma proposta de norma de referência destinada a orientar entidades reguladoras estaduais, municipais, intermunicipais e distritais.
Norma de referência não substitui automaticamente a decisão de cada agência infranacional. A ANA estabelece parâmetros nacionais e incentivos à harmonização, enquanto as entidades competentes adaptam a aplicação às características dos contratos e das áreas atendidas.
Revisão tarifária é diferente de reajuste anual. O reajuste normalmente recompõe a perda inflacionária e aplica fórmulas contratuais. A revisão reavalia custos eficientes, investimentos, demanda, produtividade, base de ativos e remuneração do capital.
A existência de metodologias muito diferentes entre regiões aumenta a incerteza para prestadores e investidores. Também dificulta a comparação pública entre tarifas, eficiência e qualidade do serviço.
A harmonização não significa impor uma tarifa igual em todo o país. Disponibilidade hídrica, topografia, densidade urbana, extensão das redes, perdas de água e necessidade de tratamento produzem estruturas de custo distintas.
Um ponto central é a base de ativos regulatória: o conjunto de investimentos reconhecidos para fins de remuneração. Ativos inexistentes, ociosos ou financiados por fontes não onerosas não devem produzir remuneração indevida.
Também será relevante a taxa de remuneração do capital. Se for artificialmente baixa, pode comprometer investimentos; se for excessiva, transfere ao usuário custo superior ao necessário para atrair financiamento.
A metodologia deverá dialogar com metas de universalização, indicadores de qualidade, redução de perdas e capacidade de pagamento das famílias. Tarifas sustentáveis não podem ser analisadas isoladamente da tarifa social.
Contratos existentes exigem cuidado adicional. Mudanças metodológicas podem afetar projeções de receita e obrigações de investimento, abrindo discussões sobre transição regulatória e equilíbrio econômico-financeiro.
Para projetos novos, regras claras ajudam a precificar riscos em licitações, concessões e parcerias público-privadas. Quanto maior a incerteza, maior tende a ser o custo de capital incorporado às propostas.
O resultado esperado não deve ser uniformidade artificial, mas um núcleo comum de transparência, coerência econômica e proteção simultânea do investimento e do usuário.
A prorrogação altera apenas a janela de participação. Não antecipa o conteúdo da norma definitiva nem modifica tarifas em vigor; interessados devem enviar suas contribuições pelo Sistema de Participação Social da ANA até o novo limite.
