Previsibilidade contratual é o maior gargalo da infraestrutura, afirma Sérgio Leverdi
Na estreia do quadro CNBC LAWINFRA, o CEO da plataforma defendeu que o Brasil dispõe de capital e projetos, mas precisa oferecer regras claras, estabilidade e confiança institucional para transformar oportunidades em investimentos de longo prazo.

A previsibilidade contratual foi apontada por Sérgio Leverdi, fundador e CEO do LAWINFRA, como o principal gargalo para a expansão da infraestrutura brasileira. A análise foi apresentada na estreia do quadro CNBC LAWINFRA, exibido pela Times Brasil | CNBC em 20 de agosto de 2026.
O diagnóstico parte de uma distinção decisiva. O país dispõe de projetos e há capital interessado em ativos de infraestrutura. A conversão desse potencial em investimento, contudo, depende de confiança: o investidor precisa compreender as regras, avaliar os riscos e confiar que compromissos de longo prazo não serão desfeitos por mudanças abruptas ou interpretações imprevisíveis.
“Segurança jurídica é infraestrutura.”SÉRGIO LEVERDI · CEO DO LAWINFRA
Energia concentra oportunidades — e exige coordenação
Leverdi destacou o setor elétrico entre as principais oportunidades do novo ciclo de investimentos. A eletrificação da economia, a expansão das fontes renováveis, o crescimento de centros de dados e a necessidade de ampliar redes de transmissão e armazenamento criam uma agenda extensa de projetos.
Essa oportunidade não se realiza apenas com engenharia e financiamento. Projetos intensivos em capital atravessam ciclos políticos, dependem de licenças, contratos, regras regulatórias e decisões coordenadas entre empresas, agências, operadores e órgãos públicos. A estabilidade desse ambiente afeta diretamente o custo do capital e a disposição para investir.
O custo da incerteza
Na entrevista, foi lembrada estimativa da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base segundo a qual disputas regulatórias e judiciais mantiveram cerca de R$ 10 bilhões em investimentos represados no ano anterior. O dado ilustra que insegurança jurídica não é uma abstração: pode paralisar obras, elevar custos e adiar benefícios econômicos e sociais.
Para Leverdi, infraestrutura precisa ser compreendida como política de Estado. Contratos e projetos de longo prazo não podem estar permanentemente sujeitos à reinvenção das regras a cada mudança de governo. Isso não significa congelar a regulação, mas assegurar que sua evolução seja tecnicamente fundamentada, previsível e compatível com direitos já constituídos.
Conhecimento técnico e diálogo institucional
A agenda proposta pelo LAWINFRA combina quatro frentes: conhecimento técnico, diálogo entre instituições, formulação de propostas concretas e aprendizado com experiências internacionais. O objetivo é aproximar empresas, investidores, agências reguladoras, Poder Judiciário, Operador Nacional do Sistema Elétrico e ministérios para reduzir ruídos e enfrentar problemas antes que se transformem em disputas paralisantes.
A mensagem inaugural do quadro é direta: o Brasil não destravará todo o seu potencial de infraestrutura apenas anunciando projetos. Será necessário construir um ambiente institucional em que o investimento encontre segurança suficiente para amadurecer, atravessar ciclos e entregar seus resultados à sociedade.
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